Lula‑vampiro-do-inferno, o “fóssil vivo” das profundezas
Seu genoma gigante e antigo, aliado ao modo de vida em águas escuras e pobres em oxigênio, faz dessa espécie um modelo valioso para estudos
Habitante discreta das profundezas, a lula-vampiro-do-inferno reúne traços de lulas, polvos e chocos, tornando-se peça-chave para entender a evolução dos cefalópodes.
Seu genoma gigante e antigo, aliado ao modo de vida em águas escuras e pobres em oxigênio, faz dessa espécie um modelo valioso para estudos de biologia marinha, genética e adaptação a ambientes extremos.
O que torna a lula-vampiro-do-inferno uma espécie tão singular?
A lula-vampiro-do-inferno, Vampyroteuthis infernalis, é o último representante vivo da ordem Vampyromorphida, que surgiu há cerca de 183 milhões de anos. Por preservar características anatômicas e genéticas ancestrais, costuma ser descrita como um “fóssil vivo”.
Ela possui corpo relativamente pequeno, olhos muito grandes e vive em zonas profundas com pouco oxigênio. Seu conjunto de oito braços unidos por uma membrana lembra uma mistura de polvo e lula, reforçando sua posição intermediária na árvore evolutiva dos cefalópodes.
Quem nomeou a lula-vampiro-do-inferno (Vampyroteuthis infernalis) arrasou no marketing porque você escuta assim e imagina um mostro gigante terrível de 30 metros mas é um bichinho mole de 30 centímetros com umas luzinhas que parecem pisca-pisca de natal e que come cocô pic.twitter.com/1wBprQB0ee
— Pedro Henrique Tunes (@PedroHTunes) August 22, 2025
Por que o genoma da lula-vampiro-do-inferno é tão importante?
O genoma da Vampyroteuthis infernalis é estimado entre 11 e 14 gigabases, valor muito superior ao de outras lulas, sépias e polvos. Esse tamanho recorde reflete não só quantidade de DNA, mas também ampla diversidade e conservação de segmentos cromossômicos.
Comparações mostram que sua organização de cromossomos lembra tanto octopodiformes (polvos e afins) quanto decápodes (lulas e chocos). Assim, o genoma da espécie funciona como referência para reconstruir o genoma ancestral dos cefalópodes modernos.
Como essa espécie ajuda a entender a evolução dos cefalópodes?
O sequenciamento de um indivíduo capturado na Baía de Suruga, no Japão, permitiu comparar seu DNA com o de vários moluscos. Os resultados indicam que, no início da história dos cefalópodes, polvos e lulas-vampiro tinham genomas estruturalmente semelhantes.
Com o tempo, lulas e polvos passaram por grandes reorganizações genômicas ligadas a mudanças de habitat, comportamento e morfologia. A lula-vampiro-do-inferno, porém, manteve boa parte da arquitetura original, o que a torna um “arquivo natural” da diversificação do grupo.
Quais questões científicas podem ser respondidas com seu estudo?
Ao comparar regiões específicas do DNA da lula-vampiro com as de outros cefalópodes, geneticistas conseguem rastrear duplicações, perdas e rearranjos de genes. Isso ajuda a relacionar mudanças genéticas a características biológicas marcantes.
- Quando lulas e polvos se separaram na árvore evolutiva.
- Quais genes sustentam camuflagem rápida e braços altamente flexíveis.
- Quais elementos genéticos permanecem estáveis desde os primeiros cefalópodes modernos.
- Como certas linhagens se adaptaram a ambientes com pouca luz e baixo oxigênio.
O canal Coruj4 Curios4 compartilhou um registro da lula‑vampiro-do-inferno:
Quais são os próximos passos nas pesquisas sobre essa espécie?
Como vive geralmente abaixo de 600 metros de profundidade, a lula-vampiro-do-inferno é difícil de observar e coletar. Cada novo exemplar estudado permite testar variações dentro da espécie e refinar estimativas sobre o tamanho e a organização do seu genoma.
Pesquisadores planejam ampliar o número de indivíduos sequenciados, comparar seu DNA com o de mais polvos e lulas e investigar genes ligados à sobrevivência em baixas concentrações de oxigênio.
A integração de dados genéticos com registros fósseis deve esclarecer, com maior precisão, a origem e a diversificação dos cefalópodes modernos.
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