Júpiter não é de gás e cientistas descobriram um oceano de metal líquido lá dentro
Camada fina de nuvens esconde oceano líquido de hidrogênio com maior massa do sistema solar
Júpiter costuma ser apresentado como um simples “planeta gasoso gigante”, mas as descobertas das últimas décadas mostram um mundo muito mais estranho e cheio de mistérios. Por trás das imagens coloridas de faixas e tempestades, existe um planeta quase totalmente líquido, com um interior feito de hidrogênio em estados exóticos.
Júpiter é realmente só uma bola de gás?
A ideia de que Júpiter seria apenas uma enorme bola de gás flutuando no espaço não combina mais com o que a ciência sabe em 2025. As nuvens que aparecem nas fotos formam apenas uma casca fina, uma espécie de “pele” planetária que esconde um segredo impressionante.
Abaixo dessa camada visível, o que domina é um imenso oceano de hidrogênio líquido, comprimido pela gravidade brutal do planeta. Na prática, Júpiter é um mundo líquido, com a maior “massa de oceano” de todo o sistema solar, só que feito de um material bem diferente da água.

Como esse gigante ficou tão monstruoso?
O canal Desvende & Descubra, com 228 mil inscritos, explora esses e outros mistérios do cosmos que desafiam nossa compreensão. O tamanho de Júpiter impressiona: caberiam mais de mil Terras dentro dele, e sua massa supera a soma de todos os outros planetas do sistema solar.
Uma das hipóteses mais aceitas diz que ele começou como um embrião rochoso, que cresceu até ficar grande o bastante para sugar gás do disco ao redor do Sol recém-nascido. Outra ideia sugere que Júpiter teria nascido como uma nuvem de gás isolada, quase uma “estrela fracassada”, capturada depois pela gravidade solar.
O que o cometa Shoemaker-Levy revelou sobre Júpiter?
Durante muito tempo, acreditava-se que Júpiter escondia um núcleo sólido e bem definido, feito de rochas e metais, esmagado no centro do planeta. As coisas começaram a ficar estranhas a partir de 1994, quando o cometa Shoemaker-Levy 9 se chocou com o gigante em um dos eventos mais espetaculares já registrados.
Os impactos abriram uma janela rara para as camadas internas, gerando plumas que a sonda Galileo atravessou e analisou. O que apareceu ali, em grande quantidade, foi água, algo que não se encaixava direito nos modelos clássicos de formação desse planeta.
| Aspecto do Impacto | Dados do Shoemaker-Levy 9 |
|---|---|
| Fragmentação | Despedaçado em cerca de duas dúzias de fragmentos pela gravidade jupiteriana |
| Velocidade de Impacto | Mais de 216.000 km/h ao colidir com o planeta |
| Energia Liberada | O maior fragmento equivalia a cerca de 300 milhões de bombas atômicas |
| Marcas Visíveis | Manchas escuras gigantes nas nuvens, visíveis por meses |
| Descoberta Científica | Detecção de grande quantidade de água nas plumas analisadas pela Galileo |
O que a Juno descobriu no coração metálico de Júpiter?
Para ir além das imagens de superfície, a NASA lançou a missão Juno em 2011, que chegou a Júpiter em 2016 com instrumentos capazes de “enxergar” o interior do planeta. Os dados indicaram que, depois de cerca de mil quilômetros abaixo das nuvens, o hidrogênio gasoso se transforma em hidrogênio líquido.
Com o aumento extremo da pressão e da temperatura, esse líquido entra em um estado ainda mais exótico, o hidrogênio metálico, que conduz eletricidade. Esse vasto oceano metálico, com dezenas de milhares de quilômetros de espessura, é o grande responsável pelo campo magnético poderoso de Júpiter e abriga tempestades como a famosa Grande Mancha Vermelha, uma megatempestade com milhares de quilômetros de largura.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)