Japão construiu muro de 400 km para segurar um tsunami gigante
A estrutura atravessa quatro províncias e levou anos para ficar pronta
O Japão enfrenta terremotos diários e tsunamis devastadores, o que levou o país a construir uma das maiores defesas costeiras do mundo: um muro de 400 km para proteger milhões de vidas ao longo do Pacífico.
Por que essa barreira gigante se tornou necessária?
O canal Tecno Lab 360, com 56,9 mil inscritos, explora essa megaestrutura que nasceu após a tragédia de 2011. O arquipélago está sobre o encontro de quatro placas tectônicas, gerando mais de 500 terremotos anuais e tsunamis frequentes.
O terremoto de magnitude 9,0 em 11 de março de 2011 rompeu 480 km de uma placa tectônica e gerou ondas de até 15 metros. As antigas muralhas, projetadas para no máximo 8 metros, foram completamente inúteis diante da força destrutiva das águas.
Como funciona essa linha de defesa de 400 km?
O projeto envolveu construir muralhas com até 15 metros de altura e fundações entre 20 e 25 metros de profundidade na região de Tohoku. O sistema atravessa províncias como Aomori, Iwate, Miyagi e Fukushima.
A obra consumiu mais de 12 bilhões de dólares e mobilizou cerca de 30.000 profissionais. Centenas de trechos foram erguidos simultaneamente ao longo de 5 a 7 anos, formando uma verdadeira fortaleza contra o oceano.
Quais testes foram realizados antes da construção?
Engenheiros japoneses recriaram o tsunami de 2011 em laboratórios usando tanques com modelos em escala reduzida. Esses experimentos permitiram entender a força real da água contra diferentes estruturas e desenhos de muralha.
Foram testadas combinações variadas de altura, espessura, inclinação e profundidade de fundação. O resultado final combinou base trapezoidal larga, núcleo de aço reforçado e resistência calculada para eventos extremos além dos já registrados historicamente.

Que soluções técnicas venceram o solo fraco da costa?
O solo arenoso e instável de boa parte de Tohoku representava um desafio crítico, pois não suportaria milhões de toneladas distribuídas ao longo da muralha. A tabela abaixo resume as principais técnicas de reforço aplicadas:
Esse “chão artificial” se tornou essencial para garantir estabilidade mesmo em terrenos originalmente inadequados para construções pesadas.
Como a muralha convive com portos e cidades?
Nos trechos portuários, o desafio foi proteger sem impedir o tráfego marítimo. A solução incluiu portões móveis que só se fecham durante alertas de tsunami, mantendo a circulação de navios em condições normais. Entre as tecnologias aplicadas, destacam-se:
- Portão descendente de aço suspenso entre torres de concreto
- Portão ascendente hidráulico que sobe do fundo do mar
- Tetrápodes e dolos (blocos que dissipam energia das ondas)
- Superfícies escalonadas que reduzem a altura da água
- Canais de drenagem integrados para chuvas intensas
Do lado urbano, muitos trechos ganharam passarelas e estradas no topo, integrando a defesa ao cotidiano. Simulações indicam redução de 30% a 50% na força de impacto das ondas, além de minutos extras cruciais para evacuação durante emergências.
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