Isso não é chuva fresca nem orvalho! Este cogumelo poliporoso da faixa vermelha do norte está espremendo líquido raro
A cena de um cogumelo liberando pequenas gotas brilhantes costuma gerar estranhamento em quem observa pela primeira vez.
A cena de um cogumelo liberando pequenas gotas brilhantes costuma gerar estranhamento em quem observa pela primeira vez.
No caso do poliporo de cinto vermelho do norte, Fomitopsis mounceae, esse comportamento chamado de gutação fúngica é um processo fisiológico em que o fungo expele líquidos para o exterior do corpo frutífero, especialmente em ambientes úmidos e durante o crescimento acelerado.
O que é gutação fúngica dos cogumelos?
A gutação fúngica é o processo pelo qual fungos soltam gotículas de líquido na superfície do micélio ou dos corpos frutíferos.
Ocorre com mais intensidade em temperaturas amenas (cerca de 20 a 30 °C) e alta umidade, quando há acúmulo de água interna devido à intensa atividade metabólica.
Ao contrário do orvalho, que se forma pela condensação da umidade do ar, a gutação envolve líquidos produzidos internamente no cogumelo.
As gotas surgem por pressão osmótica e por mecanismos ainda pouco compreendidos, saindo por hifas ativas, margens em crescimento ou poros microscópicos.
That's not fresh rain or dew! This northern red belt polypore mushroom (Fomitopsis mounceae) is squeezing out extra liquid. This drippy phenomenon is called “guttation”.
— Byte (@ByteEcosystem) June 6, 2023
When this fungus has taken in too much moisture, it exudes the excess fluid in the form of droplets. pic.twitter.com/onn9ymmipj
Diferença entre gutação fúngica e orvalho
Embora visualmente pareçam semelhantes, gutação e orvalho são fenômenos distintos.
No orvalho, a água vem do ar e se condensa sobre a superfície do cogumelo; na gutação, o líquido é expelido pelo próprio fungo como resultado direto do seu metabolismo.
Essas gotículas internas podem conter proteínas, enzimas, açúcares, pigmentos, metabólitos secundários e até toxinas, variando conforme a espécie, o substrato e o ambiente.
Por isso, pesquisadores usam a gutação como janela para entender o metabolismo e a interação do fungo com o entorno.
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Principais fungos que apresentam gutação fúngica
A gutação aparece em diferentes grupos de fungos, mas é especialmente frequente em poliporos, que crescem em madeira e formam estruturas em forma de prateleira.
As gotas podem ser transparentes, esbranquiçadas, amarelas, alaranjadas ou vermelhas, funcionando como uma espécie de “assinatura química”.
Entre os fungos em que a gutação é mais observada, destacam-se:
| Fungo | Características | Ambiente |
|---|---|---|
| Fomitopsis mounceae e Fomitopsis pinicola | Cogumelos de “cinto vermelho” que liberam gotas visíveis durante o crescimento | Troncos mortos |
| Polyporus squamosus | Grandes frutificações com superfície escamosa e ocorrência de gutação em fases ativas | Ambiente natural |
| Hydnellum peckii | Conhecido como “dente-sangrento”, exibe gotas avermelhadas chamativas | Florestas |
| Espécies de Suillus | Associadas a coníferas, podem apresentar exalação líquida em condições específicas | Relação com árvores |
| Penicillium, Aspergillus e Trichoderma | Fungos de laboratório que exibem gutação em culturas controladas | Laboratório |
Funções ecológicas da gutação em cogumelos
A função exata da gutação ainda é tema de pesquisa, mas ela é associada à defesa química, concentrando substâncias amargas, ácidas ou tóxicas que desencorajam herbívoros e microrganismos. Também pode atuar como forma de descarte de resíduos metabólicos que o fungo não necessita mais.
A intensidade da gutação indica, em muitos casos, um fungo bem hidratado, em crescimento ativo e explorando o substrato. Em cultivos comerciais de cogumelos, a presença ou ausência de gotas ajuda a avaliar umidade, temperatura e qualidade do substrato.
Importância científica da gutação fúngica
Na pesquisa científica, a gutação é uma fonte concentrada de metabólitos secundários com potencial antimicrobiano, antiviral e antitumoral, além de micotoxinas e enzimas de interesse industrial. Coletar essas gotículas permite mapear rotas metabólicas e identificar novas moléculas bioativas.
O interesse no tema segue em crescimento, com estudos em diferentes biomas, inclusive florestas tropicais. Ao mesmo tempo, o fenômeno fascina observadores da natureza, que registram cogumelos “suando” gotas coloridas, evidenciando de forma visível a intensa atividade metabólica desses organismos.
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