Five Nights at Freddy’s 2 é presente para fãs do jogo e castigo para fãs de cinema
Quando o fan service engole o roteiro, sobra susto sem muita alma
Five Nights at Freddys 2 chega depois do sucesso absurdo do primeiro filme, que transformou a adaptação de um jogo de terror em fenômeno de bilheteria.
A sequência tenta corrigir vários problemas do original e abraçar ainda mais o universo dos games, mas faz isso às custas de algo básico em cinema bom e velho: um roteiro minimamente coerente.
O que a sequência acerta em relação ao primeiro filme?
Se o primeiro longa foi criticado por segurar demais o terror e parecer tímido com os animatrônicos, a continuação tenta responder justamente a essas queixas. Há mais cenas dentro do restaurante, mais presença das criaturas e sustos melhor coreografados em alguns momentos específicos, com uso mais inteligente de luz, enquadramento e silêncio.
Também dá para sentir que a direção ouviu o clamor dos fãs do jogo original. A estética lembra mais o clima clássico de Five Nights at Freddys, com ambientes sujos, corredores estreitos e aquela sensação de que qualquer sombra pode se transformar num jumpscare a qualquer segundo.
Confira ao trailer oficial da obra:
Fan service, sustos e um roteiro que se perde no caminho
O problema é que, na ânsia de agradar quem conhece cada detalhe do game, o filme se afunda no fan service. Referências, memes visuais e momentos que parecem tirados diretamente da tela do videogame se acumulam, mas nem sempre a serviço de uma narrativa sólida. Há cenas que se contradizem, motivações que mudam do nada e decisões de personagem que existem só para empurrar a história para o próximo susto.
Em vez de construir tensão gradualmente, a trama parece um combo de set pieces conectadas por diálogos expositivos e justificativas frágeis. Quem entra apenas como fã de cinema de terror, sem laço emocional com a franquia, tende a sentir que está vendo um vídeo longo de gameplay caro, mais preocupado em agradar a base instalada do que em funcionar sozinho como filme.
Quais personagens novos apareceram no filme?
Um dos acréscimos mais interessantes da continuação é a personagem vivida por Mckenna Grace, uma repórter de casos paranormais cheia de energia, que lembra uma versão adolescente da Gale Weathers de Pânico. Nas primeiras cenas em que aparece, ela injeta ritmo, curiosidade e um pouco de humor ácido na história, dando a entender que será peça chave na investigação.
Só que, conforme a trama mergulha de vez no caos dos animatrônicos e das reviravoltas, a personagem vai sendo engolida pelo resto do roteiro. O que parecia ser uma figura central de investigação vira quase coadjuvante de luxo, perdida em uma narrativa que prefere apostar em piscadas para o fã do jogo a desenvolver de fato os arcos que apresenta.
Seu turno da noite já começou. Você consegue sobreviver?
— Universal Pictures Brasil (@UniversalPicsBr) December 6, 2025
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Para quem Five Nights at Freddys 2 realmente vale a pena?
A sequência faz mais sentido para quem entra no cinema já sendo fã do jogo, disposto a reconhecer referências, easter eggs e momentos que parecem saídos diretamente da tela do PC ou do console. Nessa chave, o filme vira quase uma celebração de fandom, com direito a animatrônicos em destaque e construção de um universo maior para futuras continuações.
Para quem procura um bom filme de terror, isolado de qualquer vínculo com o game, a recomendação é bem mais cautelosa. Five Nights at Freddys 2 pode até entreter como sessão descompromissada, mas dificilmente vai entrar na lista de grandes adaptações de videogame ou de longas realmente marcantes do gênero.
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