Este avião de 2 bilhões some no radar e ninguém consegue ver
Tecnologia da Guerra Fria criou algo que ainda hoje parece ficção científica
No silêncio da noite, um avião de quase 50 metros de envergadura cruza o céu como fantasma, atravessa defesas aéreas modernas e desaparece dos radares. Esse é o B-2 Spirit, o bombardeiro furtivo mais caro já construído, avaliado em cerca de 2 bilhões de dólares por unidade.
Como o B-2 Spirit surgiu durante a Guerra Fria?
Em meados da década de 1970, os Estados Unidos dependiam de enormes B-52 para sua estratégia nuclear, voando rotas pelo Ártico, Alasca e Mediterrâneo. O problema era que a União Soviética fortalecia sistemas de defesa aérea capazes de derrubar essas fortalezas voadoras com facilidade.
Com a ameaça de perder a garantia de retaliação nuclear, surgiu o programa Advanced Technology Bomber (ATB), pensado para criar um bombardeiro capaz de atravessar o espaço aéreo mais protegido sem ser detectado, alterando o equilíbrio estratégico entre as potências.

Quem foi Jack Northrop e qual sua relação com o projeto?
Décadas antes do projeto, o engenheiro Jack Northrop já sonhava com uma aeronave em formato de asa voadora, sem cauda e sem fuselagem convencional. Em 1947, o protótipo YB-49 chegou a voar, mas a tecnologia da época não permitiu controlar bem esse tipo de avião instável.
Anos depois, em 1978, quando a Força Aérea iniciou oficialmente o programa, a Northrop Corporation ressurgiu como protagonista, trazendo de volta a ideia da asa voadora, agora combinada com computadores avançados e novos materiais.
Como o bombardeiro consegue ser invisível aos radares?
O segredo da furtividade começa pelo formato: uma grande asa contínua, cheia de curvas suaves, sem superfícies verticais evidentes. Esse design reduz drasticamente a seção reta radar, fazendo o avião parecer algo muito menor do que realmente é.
A fuselagem é coberta por materiais absorventes de radar, combinada com painéis grandes e lisos. As principais soluções incluem:
- Formato de asa voadora que dispersa as ondas de radar
- Revestimento especial que absorve energia em vez de refletir
- Turbofans General Electric F118 embutidos no corpo
- Exaustão resfriada para reduzir assinatura infravermelha
Quer ver esse fantasma voador em ação? Assista ao vídeo com imagens reais:
Quais tecnologias mantêm o avião estável e letal?
Sem cauda, uma asa voadora tende a ser naturalmente instável, e o bombardeiro só se torna controlável graças a um sistema fly-by-wire altamente avançado. Computadores a bordo fazem correções constantes nas superfícies de controle, garantindo voo estável e manobras precisas.
A aeronave reúne mais de 130 computadores gerenciando navegação e aviônica, permitindo operar em qualquer clima. Possui autonomia de mais de 11.000 km sem reabastecimento, voa a cerca de 901 km/h, opera com apenas dois militares a bordo e conta com navegação estelar alternativa ao GPS.
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