Esses narcosubmarinos cruzam oceanos por 20 dias sem ser detectados
Colômbia registrou centenas de apreensões mas maioria das viagens passa sem flagra
Uma frota silenciosa corta oceanos longe das rotas comerciais: os narcosubmarinos. Essas embarcações feitas com fibra de vidro e resina se sofisticaram rapidamente, surpreendendo peritos navais e mudando completamente a forma como o tráfico internacional cruza o mapa.
O que torna os narcosubmarinos uma indústria escondida?
Desde os anos 90, a Colômbia já registrou cerca de 270 narcosubmarinos apreendidos, segundo conferências da própria Marinha do país. A maior parte dessas capturas aconteceu nos últimos anos, quando os modelos ficaram mais resistentes, discretos e capazes de navegar totalmente submersos.
O canal Canal Top10, com 9,7 milhões de inscritos, mostra como essas embarcações nascem em oficinas improvisadas na selva ou manguezais, com equipes pequenas de técnicos experientes. Peças pré-fabricadas são levadas por trilhas, montadas em segredo e transformadas em cascos que, no mar, conseguem viajar por semanas carregando cargas milionárias sem chamar atenção.
Como esses barcos são construídos em meio à selva?
Os primeiros narcosubmarinos eram quase experimentais, feitos com madeira revestida de fibra de vidro, levando uma ou duas pessoas com autonomia limitada. Mesmo assim, já cruzavam trechos do Pacífico, dando o primeiro empurrão para uma engenharia paralela que hoje usa resina epóxi, madeira laminada e estruturas com núcleo de espuma para reduzir ruído.
O fluxo de produção lembra uma linha de montagem invisível: enquanto um casco seca, outro é pintado e um terceiro recebe motor e tanques. A lógica dos cartéis é simples: um barco que chega ao destino paga a perda de vários apreendidos, mantendo essa indústria fantasma sempre ativa, mesmo com leis que preveem penas de até 14 anos para quem fabrica ou opera essas embarcações.
A evolução tecnológica dos narcosubmarinos pode ser vista através de suas diferentes gerações:
- Primeira geração: madeira e fibra de vidro básica, autonomia de poucos dias
- Segunda geração: estruturas sanduíche, maior capacidade de carga
- Terceira geração: modelos LPV com perfil baixo e camuflagem
- Quarta geração: snorkels submersíveis com visibilidade mínima
- Quinta geração: submarinos elétricos rebocados, praticamente indetectáveis
Como é sobreviver 20 dias dentro de um LPV?
O LPV (Low Profile Vessel) marcou a era moderna dos narcosubmarinos. Ele não é um submarino clássico, mas também não é um barco comum: fica com a maior parte do casco rente à linha d’água, quase invisível à distância, pintado em tons de azul, cinza ou verde acinzentado para se confundir com o mar.
Dentro desse tipo de narcosubmarino, a rotina é extremamente dura: motor a diesel barulhento e quente na parte traseira, um compartimento minúsculo no centro para quatro ou cinco tripulantes e, na frente, toneladas de cocaína empilhadas. Viagens de até 20 dias significam calor sufocante, pouco sono, alimentação mínima e navegação com bússola ou pequenos GPS escondidos.

Quais modelos deixaram os narcosubmarinos quase invisíveis?
Na corrida por discrição, surgiram os snorkels submersíveis, embarcações que navegam praticamente submersas, deixando aparecer na superfície apenas um tubo fino. Esse snorkel leva ar ao motor, libera a exaustão e, visto de cima, se mistura com espuma, reflexos e ondas, quase sem forma reconhecível.
A tabela abaixo compara as principais características dos modelos mais avançados de narcosubmarinos:
Como funciona o narcosubmarino elétrico fantasma rebocado?
Quando o motor a diesel virou o ponto fraco pela vibração e calor que podem denunciar a posição, os construtores migraram para uma ideia radical: o submarino elétrico. Ele foi pensado para o trecho final da rota, com casco cheio de baterias, quase sem ruído, movendo-se devagar, mas de forma muito difícil de detectar.
Esses modelos costumam viajar rebocados por um barco aparentemente comum, ligados por cabos longos submersos, deixando o fantasma escondido atrás da embarcação principal. O barco principal aparece no radar e nas patrulhas aéreas, enquanto o cabo é solto perto da costa ou diante do risco de abordagem, permitindo que o submarino elétrico percorra poucos quilômetros de forma silenciosa até o destino final, completando a entrega sem ser notado.
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