Esse buraco no deserto move 14% de tudo que você compra
Hidrovia artificial de 193 km transporta 14% da carga marítima global sem eclusas
O Canal de Suez chama atenção por ser uma espécie de “atalho oficial” do comércio mundial. Em vez de dar a volta inteira no continente africano, os navios cruzam 193 km de água escavada no meio do deserto egípcio, ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho e encurtando distâncias entre Europa, Ásia e até a costa oeste dos Estados Unidos.
O que torna o Canal de Suez tão importante para o comércio global?
O canal é uma hidrovia artificial no Egito, sem eclusas, que permite uma passagem rápida entre dois mares com níveis muito parecidos. Essa característica reduz tempo de viagem e custos operacionais, o que ajuda a explicar por que tanta carga passa por ali todos os dias.
Responsável por cerca de 14% do transporte marítimo mundial, o canal se tornou uma das rotas mais usadas do planeta. Contêineres com carros, eletrônicos, petróleo e gás natural cruzam o deserto, fazendo do Egito um grande corredor entre produtores asiáticos e mercados consumidores europeus.
Qual a história por trás dessa monumental obra de engenharia?
Este fascinante projeto foi explorado em detalhes pelo canal Construction Time, que conta com 327 mil inscritos e se dedica a desvendar grandes obras da engenharia mundial. A ligação entre mares na região é antiga: registros apontam tentativas desde mais de 3.800 anos atrás, na época dos faraós, conectando canais ao Rio Nilo para facilitar a navegação.
No fim do século XVIII, Napoleão Bonaparte chegou a estudar um canal no istmo de Suez, acreditando que isso poderia prejudicar o domínio britânico nas rotas pelo sul da África. Um erro de medição sobre a diferença de nível entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho, porém, fez o projeto ser engavetado por um bom tempo.
Como funciona a navegação por essa gigantesca hidrovia?
A fase moderna começou em 1859, depois que uma companhia franco-egípcia recebeu o direito de construir e operar a via por 99 anos. A obra combinou escavação manual e dragagem intensa ao longo de 10 anos, removendo cerca de 2,613 bilhões de pés cúbicos de terra.
Confira os principais marcos da construção:
- Extensão aproximada de 193 km, ligando Port Said, no Mediterrâneo, à cidade de Suez, no Golfo de Suez
- Construção oficial iniciada em 25 de abril de 1859 e abertura à navegação em 17 de novembro de 1869
- Dragas com até 33 metros de comprimento e 75 cavalos de potência trabalhando em solos de lama e argila macia
- Uso da argila retirada do fundo para construir margens elevadas que chegaram a servir como estradas
- União das águas dos dois mares completada em cerca de sete meses, graças a soluções de engenharia inovadoras

Quais foram as principais expansões realizadas no canal?
Desde a inauguração, o Canal de Suez passou por ampliações constantes, e sua seção transversal hoje é cerca de 15 vezes maior que a original. A concorrência com o Canal do Panamá, que também se expandiu para receber navios porta-contêineres maiores, acelerou novos projetos no Egito.
Em 2014, a Autoridade do Canal de Suez lançou um plano para aprofundar trechos e criar uma faixa paralela de aproximadamente 72 km, permitindo tráfego em mão dupla. A expansão, conhecida como “Novo Canal de Suez”, transformou completamente a operação:
Por que bloqueios no canal afetam a economia mundial?
O episódio do navio porta-contêiner de quase 400 metros encalhado em 2021 mostrou de forma clara a dependência global do Canal de Suez. Centenas de navios ficaram presos, muitos carregando produtos que iam de automóveis a equipamentos eletrônicos, o que atrasou entregas e pressionou cadeias logísticas em vários continentes.
Como alternativa, embarcações teriam de contornar o Chifre da África, região marcada por alto índice de pirataria e riscos de segurança, além de viagens mais longas e caras. A rota é vital também para energia: cerca de 9% do petróleo e 8% do gás natural transportados por mar passam ali, reforçando o peso estratégico do canal para a economia mundial atual.
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