Esse bastão de tinta pode custar mais de mil dólares e demora anos para ser feito
Falha em etapa crítica destrói resultado de meses de preparação e obriga artesão a recomeçar do zero
O bastão sólido de tinta usado na caligrafia japonesa esconde anos de trabalho e técnicas centenárias. Cada peça de sumi pode custar mais de mil dólares por unidade, e o processo artesanal explica esse valor surpreendente.
Por que a tinta japonesa custa tanto?
Enquanto tinta líquida comum custa poucos dólares, um bastão de sumi de 200 gramas da produtora Kobaien pode ultrapassar US$ 1.000, com outras marcas chegando perto de US$ 2.000. A diferença está no processo artesanal completo.
Essa tinta tradicional é produzida há cerca de 450 anos em Nara, Japão, seguindo métodos antigos. O sumi é vendido em bastão sólido que o calígrafo dissolve em água, e leva no mínimo quatro anos de envelhecimento antes de ser colocado à venda.

Como a fuligem vira ingrediente principal da tinta?
A produção acontece em salas iluminadas por fileiras de pequenas lamparinas a óleo. Dois artesãos são responsáveis por cerca de 400 lâmpadas distribuídas em quatro salas, e a fumaça delas gera o principal ingrediente: a fuligem.
No Japão, essa etapa é chamada de “capturar a fumaça”. As tampas das lâmpadas são giradas a cada 20 minutos, cinco vezes ao dia, evitando superaquecimento e garantindo partículas extremamente finas. A escolha do óleo muda completamente o preço: versões com óleos nobres como paulownia, camélia ou gergelim ficam até quatro vezes mais caras que as de colza.
Quais detalhes técnicos encarecem o processo?
A produção passa por sequência de decisões técnicas que influenciam diretamente o valor final. Recipientes de cerâmica não porosa mantêm qualidade da fuligem, enquanto pavios são feitos e trançados à mão. O controle extremo do tamanho dos grãos define o preço.
A fabricação envolve escolhas específicas que garantem qualidade superior:
- Substituição da goma-laca moderna por cola animal, geralmente de gado
- Em versões de luxo, mistura de colas de burro, cervo e cabra para aumentar brilho
- Perfumes como borneol e almíscar para neutralizar odor forte da cola
- Massa sovada diariamente à mão e com os pés por artesãos experientes
Assista ao processo completo que leva anos até o bastão ficar pronto:
Por que o envelhecimento leva anos?
Após moldagem, a secagem é extremamente lenta. Cinzas de carvalho úmidas cobrem os bastões por até 40 dias, sendo substituídas por cinzas cada vez mais secas até que a tinta esteja 70% seca. Depois, os bastões são pendurados em cordas de palha por até seis meses.
O envelhecimento completo leva pelo menos quatro anos, e alguns bastões ficam guardados por décadas. Toshitsugu Okabe e outros artesãos experientes garantem que a massa fique totalmente homogênea. Cerca de 95% de todo o sumi japonês ainda é produzido em Nara, e a técnica também é usada em pinturas chamadas sumi-e.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)