Esse animal pode regenerar o próprio cérebro
Esse anfíbio de água doce, nativo do México, chamou a atenção da ciência por conseguir refazer partes inteiras do organismo ao longo da vida
Entre os muitos animais usados para entender o corpo, o axolote ocupa um lugar especial. Esse anfíbio de água doce, nativo do México, chamou a atenção da ciência por conseguir refazer partes inteiras do organismo ao longo da vida, incluindo membros e regiões do sistema nervoso central.
Por que a regeneração cerebral do axolote intriga a ciência?
Lesões extensas no cérebro são praticamente irreversíveis em mamíferos, com baixa recuperação funcional. No axolote, porém, porções removidas do encéfalo podem ser recompostas com rapidez surpreendente e com perda comportamental limitada.
Esse modelo permite observar, em tempo real, como um cérebro adulto reorganiza sua arquitetura após dano controlado. Diferente de humanos, o axolote mantém populações ativas de células progenitoras ao longo da vida, o que sustenta um potencial regenerativo duradouro.

Como as células progenitoras organizam o reparo cerebral?
As células progenitoras funcionam como uma reserva permanente no encéfalo. Quando ocorre lesão, elas entram em intensa proliferação, gerando descendentes que seguem rotas distintas de especialização celular.
Uma parte estabiliza o tecido e participa da cicatrização, outra progride para neurônios, e uma fração permanece em estado progenitor. Esse equilíbrio dinâmico ajuda a explicar por que o cérebro do axolote tolera intervenções cirúrgicas drásticas com reorganização eficiente.

Como os cientistas identificam os tipos de células envolvidas?
Para entender a regeneração cerebral do axolote, não basta observar a morfologia. Pesquisadores usam análise de expressão gênica célula a célula, o que permite separar grupos com funções distintas durante o reparo do telencéfalo.
Antes de descrever esses grupos, vale destacar os principais conjuntos celulares identificados e seu papel na reconstrução do tecido:
- Células progenitoras: origem da maior parte das células novas.
- Neuroblastos: estágio intermediário, já orientado à identidade neuronal.
- Neurônios formados: integram redes funcionais e restabelecem circuitos.
- Células de suporte: organizam o ambiente local e modulam inflamação.
Quais são as principais fases da regeneração cerebral?
A regeneração do telencéfalo no axolote costuma ser descrita em três momentos. O primeiro é uma explosão de proliferação, na qual progenitoras aumentam rapidamente e colaboram com a contenção da lesão e com a cicatrização inicial.
Em seguida, forma-se uma população de células intermediárias, os neuroblastos. Por fim, esses neuroblastos se diferenciam em diversos tipos de neurônios, restabelecendo conexões com outras áreas e recuperando, em grande parte, a diversidade celular original.
O canal ANIMAL TV explicou um pouco mais sobre o axolote:
O que a regeneração cerebral do axolote revela sobre evolução e medicina?
Comparações com peixes, répteis, roedores e humanos mostram semelhanças entre populações celulares do telencéfalo do axolote e regiões como hipocampo, córtex olfativo e até partes do neocórtex de mamíferos.
Isso sugere que princípios básicos de organização cerebral foram amplamente conservados. Ao mapear combinações de genes que sustentam essa regeneração, pesquisadores buscam pistas sobre mecanismos ainda presentes, porém adormecidos, em cérebros com baixa plasticidade.
Embora aplicações clínicas diretas ainda não existam, o axolote segue como modelo central para imaginar terapias futuras em lesões neurológicas graves.
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