Essa fábrica faz 30 mil sabões de uma vez e você não vai acreditar como
Um truque simples evita acidentes durante a produção artesanal intensa
No coração de Trípoli, no Líbano, uma antiga fábrica de sabão de azeite de oliva segue ativa em pleno século 21, produzindo cerca de 30.000 barras por vez com uma técnica que atravessa gerações. Em meio a máquinas modernas e sabonetes líquidos industriais, esse lugar mantém um ritual quase artesanal, misturando tradição histórica, trabalho em família e muita resistência para continuar existindo.
Como nasce um sabão de azeite feito à moda antiga?
A base do sabão tradicional é surpreendentemente simples: azeite de oliva, soda cáustica e água, nada além disso, seguindo um método usado no Oriente Médio desde pelo menos o século 10. Hoje, a enorme caldeira de 143 anos é movida a eletricidade, mas o processo ainda exige paciência, atenção e um controle cuidadoso do ponto certo da mistura.
Enquanto o sabão cozinha, trabalhadores espalham flocos de sabão em pó pelo chão para evitar que a massa grudada estrague o lote. Depois de cerca de três dias, a mistura líquida atinge uma cor verde-escura e uma textura parecida com mel, sinal de que está pronta para ser despejada, em um ritmo que lembra uma coreografia já bem ensaiada.

Por que o chão da fábrica vira um tapete verde de sabão?
Quando o sabão atinge o ponto ideal, começa o trabalho pesado: baldes de cerca de 30 quilos são passados de mão em mão em uma corrente humana, algo que se repete cerca de 700 vezes em um único lote. O líquido chega ao chão em torno de 60 graus Celsius, ainda muito quente, e leva aproximadamente três horas para cobrir toda a área em uma camada uniforme.
Antigamente, uma bomba fazia esse serviço em meia hora, mas, com o equipamento quebrado e sem peças de reposição no Líbano, a equipe voltou ao método manual. Um artesão experiente usa uma espécie de pente gigante para nivelar o sabão até alcançar cerca de 2,4 polegadas de altura, garantindo que cada futura barra tenha o mesmo tamanho e espessura.
Quais etapas transformam a massa em blocos perfeitos?
Depois de espalhado, o sabão precisa descansar por cerca de 48 horas para esfriar e endurecer, sempre sob vigilância, já que calor excessivo ou umidade podem arruinar todo o lote. Quando a superfície está firme o suficiente, o time alisa novamente e reaproveita todas as sobras na próxima produção, mostrando um cuidado que evita desperdícios.
Em seguida, começam as marcações e cortes em blocos com formato tradicional de cerca de 2,8 polegadas, em um trabalho coletivo que envolve ferramentas passadas de geração em geração. O processo inclui molhar um cordão com tinta para traçar as linhas de corte, usar um cortador em forma de “ancinho” acionado por cinco pessoas que aplicam o peso do próprio corpo sobre as lâminas, manter atenção constante para não esmagar as barras ainda frágeis e polvilhar pó de pedra no chão para evitar escorregões entre as fileiras de sabão recém-formadas.
Por que essa tradição centenária está em risco de desaparecer?
Trípoli, Nablus e Aleppo já foram grandes centros de sabão de azeite, com dezenas ou até centenas de fábricas exportando para vários países. Guerras civis, conflitos prolongados, cortes de oliveiras para construção civil e a concorrência de marcas industriais derrubaram esse mercado, deixando apenas algumas poucas fábricas ativas na região.
Para continuar de pé, muitos produtores adotaram fragrâncias como lavanda, menta e camomila, criando versões aromatizadas que hoje são as mais vendidas, enquanto o sabão puro de azeite é fabricado poucas vezes por ano. Entre adaptações, vendas online, fornecimento para hotéis e visitas guiadas, essas fábricas seguem apostando em curiosos, turistas e novas gerações dispostas a descobrir histórias escondidas em cada barra de sabão.
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