Epicuro sobre o amor: “Os prazeres do amor jamais nos serviram”
Entre os filósofos da Antiguidade, Epicuro ganhou destaque por tratar de temas que ainda despertam interesse, como o amor
Entre os filósofos da Antiguidade, Epicuro ganhou destaque por tratar de temas que ainda despertam interesse, como o amor, o prazer e a busca por uma vida tranquila, relacionando-os à ataraxia, isto é, à serenidade interior e à ausência de perturbações.
O que Epicuro quis dizer sobre os prazeres do amor
A frase atribuída a Epicuro, “Os prazeres do amor jamais nos serviram. Devemos nos considerar felizes se não nos aborrecerem”, critica o amor tomado como paixão avassaladora.
Para ele, vínculos marcados por ciúme, dependência e grandes expectativas tendem a ameaçar a paz de espírito.
Na filosofia epicurista, o objetivo não é buscar prazeres intensos, mas estáveis e tranquilos.
Assim, o amor romântico, quando excessivo, costuma gerar mais inquietações do que benefícios, afastando a pessoa da vida moderada que favorece a ataraxia.

Como a classificação dos prazeres esclarece a visão de Epicuro
Epicuro distingue prazeres naturais e necessários, naturais e não necessários, e nem naturais nem necessários.
O desejo amoroso excessivo geralmente entra nesta última categoria, por envolver idealizações, disputas e frustrações recorrentes.
Nessa perspectiva, os prazeres do amor raramente contribuem para uma existência mais livre de sofrimento.
Se um prazer vem acompanhado de forte instabilidade emocional, ele deixa de ser realmente útil para a conquista da serenidade interior.
De que forma os prazeres do amor podem aborrecer e gerar perturbações
Quando Epicuro afirma que é feliz quem não é “aborrecido” pelos prazeres do amor, ele destaca seu potencial de incômodo.
Relações intensas podem desequilibrar a mente, sobretudo quando se apoiam em carências e expectativas desmedidas.
Entre os principais fatores que transformam o amor em fonte de perturbação, é possível identificar alguns elementos recorrentes nas experiências afetivas:
- Ciúme e insegurança: medo constante de perda ou substituição.
- Dependência emocional: bem-estar condicionado ao parceiro.
- Idealização excessiva: expectativas irreais que levam à decepção.
- Conflitos recorrentes: discussões e ressentimentos acumulados.
Como o amor pode se encaixar na filosofia de Epicuro
A filosofia de Epicuro não rejeita vínculos afetivos, mas recomenda vivê-los com moderação e reflexão.
Ele valoriza sobretudo a amizade, considerada um prazer estável e confiável, menos sujeito a turbulências emocionais.
Nesse quadro, o amor só é compatível com o ideal epicurista se não gerar dependência nem sofrimento constante.
O modelo mais próximo seria um vínculo sereno, em que cada um preserva sua liberdade interior e a relação não ameaça a tranquilidade.
Por que a leitura epicurista do amor ainda é atual em 2025
Em um cenário em que relacionamentos são debatidos em redes sociais, séries e produções culturais, a proposta epicurista de vida calma contrasta com o ideal de romances intensos e dramáticos.
Essa tensão explica a permanência da frase de Epicuro nos debates sobre afetividade.
Ao sugerir que nem todo amor é benéfico, Epicuro convida a avaliar se cada vínculo favorece a serenidade ou alimenta inquietações.
Seu pensamento oferece um critério para equilibrar afeto, liberdade e tranquilidade em qualquer época.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)