Eles trocam de parceiro sim: o lado pouco conhecido da “fidelidade” dos pinguins
Veja o que a ciência descobriu sobre os relacionamentos dessas aves e por que muitos trocam de parceiro a cada ano
Em muitos livros infantis e produções para TV, os pinguins aparecem como símbolos de fidelidade eterna, mas estudos de campo mostram que a maior parte das espécies é socialmente monogâmica apenas dentro de uma mesma temporada reprodutiva, e que a continuidade do par de um ano para outro depende de fatores como sucesso reprodutivo, retorno à colônia e condições ambientais.
Parcerias entre pinguins duram para sempre?
Em vez de “casamentos para sempre”, observam-se parcerias funcionais voltadas sobretudo à criação dos filhotes. Se o ambiente muda, se o parceiro não retorna à colônia ou se a reprodução anterior falha, muitos pinguins tendem a buscar um novo companheiro.
Assim, a troca de parceiro é relativamente comum em algumas espécies, sem que isso reduza o cuidado com ovos e jovens. O foco está em maximizar a sobrevivência da prole, e não em manter uma união vitalícia.
Por que os pinguins trocam de parceiro?
Pares que criam bem seus filhotes tendem a se repetir, enquanto duplas com perda de ovos ou filhotes se desfazem com mais frequência. A troca funciona como um “reajuste” para tentar melhorar as chances da próxima ninhada.
Outro fator decisivo é a taxa de retorno à mesma colônia, já que muitos pinguins enfrentam longas migrações, predadores e escassez de alimento. Quando um parceiro não volta ou chega tarde, o outro tende a formar um novo casal, adaptando-se à imprevisibilidade do ambiente marinho.
Como funciona a monogamia sazonal entre pinguins?
Na maioria das espécies, ocorre monogamia sazonal: o casal se forma no início da temporada, divide incubação e cuidado com os filhotes e se separa ao fim do período reprodutivo. Na estação seguinte, aquele par pode ou não se reencontrar, dependendo das condições.
Esse modelo facilita a divisão de tarefas e reduz brigas na colônia, pois cada indivíduo defende uma área específica ao lado do mesmo parceiro durante a estação. Em algumas espécies, muitos casais se reencontram por vários anos; em outras, a rotatividade é maior.
Quais fatores influenciam a troca de parceiro?
Diversos elementos explicam por que alguns pinguins trocam de parceiro quase a cada temporada, enquanto outros mantêm relações mais duradouras. Colônias estáveis, com boa oferta de alimento e menos perturbações, tendem a registrar maior taxa de reencontro entre antigos parceiros.
Em ambientes com mudanças climáticas intensas, derretimento de gelo ou forte presença humana, aumenta a mortalidade e a migração para outras áreas. Nesses contextos, a troca de parceiro torna-se parte da estratégia de adaptação, influenciada especialmente pelos fatores a seguir:
Sucesso ou fracasso no ninho
Pares que tiveram reprodução bem-sucedida tendem a se reunir novamente.
Sincronização entre parceiros
Atrasos de um dos indivíduos aumentam a chance de formação de novas uniões.
Idade e maturidade
Aves mais velhas costumam reencontrar parceiros com maior frequência.
Clima e disponibilidade de alimento
Escassez de recursos e eventos climáticos extremos reduzem a fidelidade entre pares.
Os pinguins são realmente fiéis ao mesmo parceiro?
A imagem de fidelidade absoluta vem de espécies em que muitos casais se reencontram ano após ano, como alguns pinguins-imperador e pinguins-de-Adélia. Mesmo nesses casos, morte de um parceiro, desencontros ou mudanças no ambiente levam a novas uniões, configurando uma fidelidade condicional.
Em espécies como pinguins-de-magalhães, a troca entre temporadas é bem mais alta, revelando um espectro de comportamentos ligado às pressões ecológicas. O que se mantém constante é a importância da cooperação do casal em cada estação, qualquer que seja o parceiro, para maximizar a sobrevivência dos filhotes em mares em transformação.
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