É isso que acontece quando uma Fórmula 1 faz curva com a asa aberta
Downforce empurra carro para baixo criando peso artificial que segura nas curvas
Um carro de Fórmula 1 entrando rápido na primeira curva de Suzuka já é cena clássica. Mas quando o piloto Jack Doohan passou reto com a asa traseira aberta, o episódio levantou uma questão intrigante: o que acontece quando um F1 tenta fazer curva com o DRS ativado?
Como a asa de um Fórmula 1 funciona diferente da asa de um avião?
Enquanto a asa de um avião foi criada para gerar empuxo e manter tudo no ar, a asa de um Fórmula 1 trabalha no sentido oposto. Ela é desenhada para empurrar o carro para baixo e aumentar a aderência com o asfalto, criando o que chamamos de carga aerodinâmica.
Essa “força para baixo” é conhecida em inglês como downforce. Sem ela, um carro tão leve quanto um F1 escorregaria facilmente nas curvas, mesmo em velocidades bem menores, tornando impossível atingir os tempos de volta que vemos nos circuitos modernos.

Por que um Fórmula 1 precisa tanto de downforce nas curvas?
Quando um carro entra numa curva, a força de atrito entre pneu e asfalto é o que impede que ele escorregue. Esse atrito depende de quanta força o carro faz sobre o chão, que no carro de rua vem basicamente do peso natural do veículo.
Um F1 atual pesa cerca de 800 kg, menos que um carro popular que passa fácil dos 1000 kg. Como ele faz curvas a velocidades muito maiores, precisa compensar o “peso menor” com um peso artificial, criado justamente pelas asas dianteira e traseira trabalhando em conjunto.
O que é DRS e por que ele vira vilão nas curvas?
O canal Ciência Todo Dia, com seus 7,59 milhões de inscritos, já explicou conceitos de física aplicada ao automobilismo. As asas ajudam nas curvas, mas criam um inimigo nas retas: o arrasto, aquela resistência do ar que puxa o carro para trás.
Para reduzir esse arrasto, surgiu o DRS (Drag Reduction System), a famosa asa móvel, em 2011. Ao abrir uma parte da asa traseira, o sistema diminui o arrasto e libera alguns km/h extras no fim da reta, facilitando ultrapassagens e tornando as corridas mais emocionantes.
O que aconteceu com Jack Doohan em Suzuka?
No acidente de Jack Doohan em Suzuka, o detalhe chave é que a primeira curva costuma ser feita sem frear. Ou seja, o sistema automático que fecha o DRS pelo pedal de freio não entrou em ação naquele ponto específico da pista japonesa.
A Alpine explicou depois que o piloto esqueceu de desativar o DRS manualmente, usando a alavanca no volante. Vários fatores se juntaram para criar a situação perfeita para o erro, resultando em perda repentina de aderência na traseira e saída de pista espetacular.
Como o DRS vai mudar na Fórmula 1 a partir de 2026?
Hoje o uso do DRS segue regras bem claras: o piloto precisa estar a até um segundo do carro à frente e dentro de uma zona específica, quase sempre em retas. A partir de 2026, a ideia é trocar esse sistema por uma aerodinâmica ativa mais flexível e sofisticada.
Esse novo conceito pretende permitir ajustes nas asas ao longo da volta, tentando equilibrar menos arrasto nas retas e mais carga aerodinâmica nas curvas. As principais mudanças previstas incluem:
- Saída do DRS tradicional como é conhecido hoje
- Entrada de um sistema de aerodinâmica ativa nas asas dianteira e traseira
- Uso não limitado só a retas, com mais variações por volta
- Mais opções de acerto entre velocidade de reta e desempenho em curva
- Desafio extra para engenheiros e pilotos em tempo real
Por que essas mudanças tornam as corridas mais emocionantes?
A disputa entre arrasto e downforce está no centro de qualquer projeto de carro de Fórmula 1. Pistas “de alta” favorecem asas menores e velocidade em reta, enquanto pistas “de baixa” pedem mais asa para segurar o carro nas curvas fechadas.
Com a aerodinâmica ativa prometida para 2026, cada volta pode virar um laboratório em movimento, com asas mudando de função o tempo todo. Para quem gosta de curiosidades sobre tecnologia e corrida, é um prato cheio para continuar explorando histórias, lances estranhos e novas soluções que ainda vão aparecer no grid.
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