Duas bactérias permitem a transformação do pó do planeta Marte em materiais de construção

03.02.2026

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Duas bactérias permitem a transformação do pó do planeta Marte em materiais de construção

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5 minutos de leitura 03.12.2025 17:44 comentários
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Duas bactérias permitem a transformação do pó do planeta Marte em materiais de construção

Para que a colonização de Marte seja viável a longo prazo, quatro necessidades básicas são essenciais: água, ar respirável, alimento e abrigo.

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Duas bactérias permitem a transformação do pó do planeta Marte em materiais de construção
Duas bactérias permitem a transformação do pó marciano em materiais de construção - Créditos: depositphotos.com / Ruletkka

A ideia de usar bactérias para tornar possível a colonização de Marte deixou de ser apenas um exercício de ficção científica e passou a ser um tema concreto de pesquisa científica.

Em vez de depender apenas de grandes máquinas e estruturas metálicas levadas da Terra, grupos de astrobiólogos estudam como microrganismos podem atuar como “fábricas vivas” para produzir materiais, oxigênio e insumos agrícolas diretamente no ambiente marciano, integrando biologia, engenharia e exploração espacial em um único projeto.

Como a colonização de Marte utiliza recursos disponíveis no próprio planeta

Para que a colonização de Marte seja viável a longo prazo, quatro necessidades básicas são essenciais: água, ar respirável, alimento e abrigo. Transportar tudo isso da Terra em grandes quantidades é economicamente inviável e logisticamente arriscado para missões contínuas.

Por isso, o conceito de utilização de recursos in situ (ISRU, na sigla em inglês) tornou-se central. Ele propõe usar o solo marciano, o gás carbônico da atmosfera e a luz solar como matéria-prima, reduzindo a dependência de cargas vindas da Terra.

Como bactérias podem contribuir para a construção de abrigos em Marte

No caso do abrigo, o regolito marciano — o solo que cobre a superfície do planeta — surge como material promissor.

Ele é composto por poeira fina, fragmentos de rocha e minerais variados, mas isoladamente não oferece resistência suficiente para construções seguras.

Uma linha de pesquisa em destaque investiga a combinação de duas bactérias com funções complementares.

A primeira é Sporosarcina pasteurii, conhecida na área de biocimento, capaz de produzir carbonato de cálcio que age como “cola” entre partículas de solo, formando estruturas rígidas semelhantes a tijolos.

De que forma o biocimento bacteriano funciona em condições marcianas

Experimentos em laboratório mostraram que, quando exposta a materiais que imitam o regolito marciano, Sporosarcina pasteurii forma biocimento com desempenho comparável ao observado em solos terrestres.

Isso abre a possibilidade de produzir tijolos biológicos diretamente em Marte, com solo local e nutrientes controlados.

O desafio é que essa espécie depende de oxigênio e não suporta bem a baixa pressão, a atmosfera rica em dióxido de carbono e a radiação do planeta vermelho.

Para contornar essa limitação, pesquisadores propõem associá-la a uma cianobactéria extremamente resistente, do gênero Chroococcidiopsis.

Por que cianobactérias são estratégicas em projetos de colonização de Marte

Chroococcidiopsis realiza fotossíntese, produz oxigênio e possui mecanismos de reparo de DNA que permitem suportar radiação elevada e variações extremas de temperatura.

Testes em ambientes espaciais simulados indicam que ela pode permanecer ativa em condições próximas às do espaço e da superfície marciana.

No contexto da parceria com Sporosarcina pasteuriiChroococcidiopsis cria microambientes mais ricos em oxigênio e oferece proteção parcial contra radiação, favorecendo a formação de biocimento no regolito.

Assim, camadas de solo colonizadas podem ser consolidadas em blocos, painéis ou estruturas curvas para abrigos.

Leia também: Telescópio solar mais poderoso da Terra viu o sol se torcer e o objetivo era explicar por que sua atmosfera queima milhões de graus a mais do que sua superfície

Quais são as principais funções das cianobactérias em sistemas construtivos marcianos

Ao integrar cianobactérias em sistemas marcianos, pesquisadores exploram múltiplos benefícios simultâneos. Essas funções vão desde o suporte direto à vida até o fortalecimento de materiais usados em infraestrutura básica para colonos.

  • Produção de oxigênio por fotossíntese para uso humano e em processos industriais.
  • Suporte à formação de materiais cimentantes em associação com outras bactérias.
  • Possível proteção parcial contra radiação em microescala, ajudando a preservar microrganismos sensíveis.
  • Adaptação a ambientes secos e com forte variação térmica, semelhantes às condições marcianas.
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Nasa teria acaba com a vida em Marte, diz pesquisador. Imagem: Criada por IA

Quais benefícios adicionais essas bactérias podem oferecer para Marte

Além de contribuir para abrigos e oxigênio, o uso combinado dessas bactérias pode gerar amônia ou outros compostos nitrogenados.

Ao converter moléculas presentes no ambiente em formas de nitrogênio mais acessíveis, elas ajudam a fertilizar substratos agrícolas em estufas marcianas.

A partir dessa abordagem, a colonização de Marte passa a contar com um ciclo integrado: cianobactérias fornecem oxigênio e suporte biológico; bactérias produtoras de biocimento transformam regolito em material de construção; e sistemas agrícolas aproveitam subprodutos como nutrientes, reduzindo a necessidade de importação.

  1. Instalar módulos iniciais trazidos da Terra para abrigar os primeiros cultivos microbianos.
  2. Introduzir cianobactérias em sistemas iluminados para produção de oxigênio.
  3. Adicionar bactérias formadoras de biocimento ao regolito tratado.
  4. Consolidar o solo em blocos ou estruturas moldadas.
  5. Ampliar gradualmente áreas de abrigo e espaços agrícolas protegidos.

Mesmo com avanços em laboratório e em missões simuladas, a aplicação em escala ainda exige muitos testes em futuras missões robóticas ou tripuladas.

Nas próximas décadas, a biotecnologia tende a se tornar eixo central da ocupação do planeta vermelho, em que colonizar Marte significará também aprender a trabalhar em parceria com microrganismos adaptados às condições mais extremas.

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