Construíram um muro no meio da floresta mais antiga da Europa
Espécies raras ficam separadas enquanto migrantes enfrentam risco na mata
No meio de uma floresta milenar entre Polônia e Belarus, um muro moderno virou símbolo de um debate tenso: como controlar fronteiras sem destruir pessoas, animais e um ecossistema único no mundo?
O que torna a floresta de Białowieża tão especial?
Białowieża é considerada a última floresta virgem da Europa, com cerca de 10 mil anos de história. Declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1979, abriga árvores gigantes, musgos que retêm umidade e um ciclo natural único.
A construção da barreira fronteiriça em 2021 colocou em risco o título internacional e a biodiversidade local. A cerca foi erguida para conter requerentes de asilo vindos da Síria, Afeganistão e países africanos, mas acabou cortando o parque ao meio.

Como o muro afeta animais e migrantes simultaneamente?
A estrutura não é apenas metálica: vem com máquinas pesadas, estrada pavimentada, arame farpado, câmeras e patrulhas constantes. Isso alterou o ambiente onde antes circulavam livremente lobos, linces e bisões europeus.
Enquanto autoridades classificam a situação como “guerra híbrida” promovida pela Rússia via Belarus, organizações humanitárias denunciam expulsões ilegais. A floresta virou simultaneamente rota de fuga para migrantes e campo de risco para a fauna local.
Quais impactos ambientais já são visíveis na região?
Pesquisadores registram mudanças claras: animais desapareceram de certas áreas, troncos foram derrubados e há lixo plástico espalhado. Bisões ficaram separados de suas manadas pela barreira, e especialistas alertam para alteração genética das espécies a longo prazo.
Os principais problemas identificados incluem:
- Lobos e linces impedidos de cruzar com parceiros do outro lado, reduzindo diversidade genética
- Bisões europeus isolados agravando o quadro de consanguinidade
- Vegetação destruída com abertura de clareiras e compactação do solo
- Lixo, ruído e presença humana alterando comportamento da fauna
Por que essa floresta é crucial para a sobrevivência do bisão europeu?
Cerca de 200 mil visitantes passam por Białowieża anualmente para ver o bisão europeu, espécie que quase desapareceu no fim do século XX. Hoje, aproximadamente 880 bisões vivem na parte polonesa, representando um em cada quatro bisões do mundo.
A recuperação veio com gargalo genético: muitos descendem de poucos fundadores, tornando a espécie vulnerável. Um macho chamado Pleas teve cerca de 36 filhotes, dominando geneticamente boa parte da população. As cercas dificultam conexões entre grupos que poderiam reduzir a consanguinidade.
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