Como a dor de perder um amigo no 11 de setembro virou uma jornada de 25.000 Milhas de cura

17.01.2026

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Como a dor de perder um amigo no 11 de setembro virou uma jornada de 25.000 Milhas de cura

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4 minutos de leitura 16.01.2026 19:52 comentários
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Como a dor de perder um amigo no 11 de setembro virou uma jornada de 25.000 Milhas de cura

Em setembro de 2001, após perder o amigo Kevin nos ataques ao World Trade Center, um homem da Filadélfia decidiu transformar o luto em uma jornada

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Como a dor de perder um amigo no 11 de setembro virou uma jornada de 25.000 Milhas de cura
Como a dor de perder um amigo no 11 de setembro virou uma jornada de 25.000 Milhas de cura - Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

Em setembro de 2001, após perder o amigo Kevin nos ataques ao World Trade Center, um homem da Filadélfia decidiu transformar o luto em uma jornada de bicicleta pelos Estados Unidos, que mais tarde se estenderia por diversos continentes, marcada por abraços e encontros com desconhecidos.

Como o luto por Kevin deu início a uma travessia de bicicleta

Nos meses seguintes ao 11 de setembro, a vida dele foi tomada por desorientação e vazio. Nove meses depois, tirou uma bicicleta da garagem e saiu de Astoria, no Oregon, rumo à Filadélfia, cidade onde Kevin cresceu.

A rota de cerca de 4.200 milhas não foi planejada como aventura esportiva, mas como homenagem e tentativa de dar sentido à perda em meio ao trauma coletivo vivido nos Estados Unidos.

De jornada solitária a encontros marcados por abraços

Durante a travessia, pessoas em postos, igrejas e praças se aproximavam para perguntar sobre a bicicleta e sobre Kevin.

Ao ouvir a história, muitos contavam onde estavam em 11 de setembro, quem haviam perdido e pediam um abraço.

O impacto o levou a novas viagens: em 2004, pedalou do norte ao sul da África, depois por Europa e Ásia, passando por Turquia, Tajiquistão, China, além de Austrália, Israel e outros países, sempre disponível para ouvir e abraçar desconhecidos.

Como o gesto de abraçar se espalhou pelo mundo

Com o tempo, ele passou a registrar não só as distâncias, mas o número de abraços, transformando a prática em uma espécie de pesquisa sobre conexão humana. Em 31 de julho de 2017, em Las Vegas, contou 1.330 abraços em um único dia.

Alguns encontros se destacam: em um voo para Anchorage, no Alasca, dividiu relatos de luto com o passageiro ao lado, trocou um “vale-abraço” em forma de cartão e manteve contato esporádico por anos.

Em uma escola de Dakota do Sul, uma adolescente vivendo o caos do desemprego e vício em casa guardou aquele abraço como um raro momento em que se sentiu vista.

Como o princípio EMBRACE organiza os aprendizados dos abraços

Após mais de um milhão de encontros em 42 países e todos os 50 estados norte-americanos, ele organizou o que aprendera em sete princípios reunidos na sigla EMBRACE, usados em estradas africanas, avenidas asiáticas, praias australianas e bairros marcados por crise.

  • Envolver com abertura: chegar sem cinismo, sem atuar um papel.
  • Montar conexões significativas: ir além do “oi, tudo bem?”.
  • Buscar pontes, não muros: usar o toque permitido para atravessar diferenças.
  • Respeitar limites: aceitar quando a pessoa não quer contato físico.
  • Aceitar sem julgar: ouvir sem oferecer diagnósticos rápidos.
  • Confiar no valor compartilhado: reforçar a importância de cada pessoa.
  • Estimular esperança pelo toque: mostrar presença em meio à dor.

Como os abraços chegam a cenários de tragédia e fé

Após o ataque armado a uma boate em Orlando, em 2016, ele foi a um memorial oferecer conversas e abraços.

Uma moradora que o acompanhava desde 2008 o encontrou, abraçou-o com força e desmaiou, deixando nele a lembrança das lágrimas que pareciam concentrar a dor coletiva.

Em Belfast, na Irlanda do Norte, em uma mesquita, uma fiel muçulmana explicou que não poderia abraçá-lo, mas sugeriu contar sorrisos.

Ao ouvir o clique do contador para cada sorriso seu e de outras mulheres, transformou a limitação de contato físico em experiência comunitária de acolhimento.

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