“Cogito ergo sum” o que Descartes quis dizer e por que é a base de sua filosofia
René Descartes é reconhecido como um dos pensadores fundamentais da filosofia ocidental
René Descartes é reconhecido como um dos pensadores fundamentais da filosofia ocidental, em parte graças à sua famosa declaração “Cogito ergo sum” ou “Penso, logo existo”. Esse aforismo encontra-se em sua obra “Discurso do Método”, publicada em 1637, e representa uma virada crucial rumo ao racionalismo moderno. Descartes introduziu o conceito da dúvida metódica, um processo de questionamento sistemático com o objetivo de alcançar certezas absolutas no conhecimento.
Segundo Descartes, para atingir um conhecimento indubitável é fundamental submeter todas as crenças prévias a uma análise crítica. Ele propôs quatro regras claras a serem seguidas: evidência, análise, síntese e recapitulação. Utilizando esse método, Descartes pretendia construir, do zero, um edifício do saber baseado apenas em verdades firmes e inquestionáveis.
Como Descartes chegou ao cogito?
Descartes aplicou sua dúvida metódica não só às percepções externas ou ao seu próprio corpo, mas também aos princípios matemáticos e a tudo aquilo que pudesse ser concebido. Nesse processo, identificou um fato irreversível: o ato de duvidar. A própria dúvida é uma forma de pensamento, o que implica que deve existir um ser para que tal pensamento ocorra. Consequentemente, chegou à conclusão de que o pensamento comprova a própria existência, independentemente de o mundo exterior ser real ou não.

Interpretações e equívocos do “Cogito”
Frequentemente, a expressão “Cogito ergo sum” é mal interpretada ao assumir que a existência depende do pensamento. Entretanto, Descartes não pretendia sugerir que o pensamento cria a existência, mas sim que o próprio fato de pensar é a evidência da existência. Esse raciocínio fornece uma certeza absoluta sobre o “eu” consciente, independente de qualquer ilusão sensorial ou erro de percepção.
O dualismo cartesiano
O pensamento de Descartes é caracterizado pelo dualismo substancial, que postula a existência de dois tipos de substâncias: a res cogitans, ou substância pensante, e a res extensa, a substância material ou corporal. Essa distinção estabelece uma separação entre mente e corpo, sugerindo que a essência do ser humano reside em sua capacidade de pensar, mais do que em sua presença física. Essa visão foi profundamente influente, tendo impacto não só na filosofia, mas também em áreas como psicologia e neurociências, especialmente em debates sobre a relação entre mente e corpo.
Contribuições ao racionalismo moderno
Além do “Cogito”, Descartes contribuiu de maneira significativa para o racionalismo ao buscar uma demonstração lógica e sistemática da existência de Deus. Para ele, somente um ser perfeito poderia garantir a veracidade das ideias claras e distintas percebidas pelo indivíduo. Esse quadro de pensamento mecânico também influenciou sua perspectiva sobre o corpo humano e os animais, ao considerá-los como máquinas regidas por leis físicas. Suas ideias introduziram um método de investigação baseado na razão e na dúvida, que marcou o início da filosofia moderna.
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