Cientistas descobrem como o cérebro de astronautas muda fora da Terra
O espaço não muda só o corpo
Passar semanas ou meses em órbita não afeta apenas músculos e ossos. Estudos recentes mostram que o cérebro humano também muda fisicamente no espaço. Não é uma metáfora nem algo subjetivo. A própria forma do cérebro pode se alterar, e essas mudanças ajudam a explicar por que muitos astronautas demoram tanto para se readaptar à gravidade da Terra.
O que acontece com o cérebro quando não há gravidade?
No ambiente espacial, o corpo entra em microgravidade. Sem a força constante puxando tudo para baixo, os fluidos corporais se redistribuem de maneira diferente.
Isso faz com que o cérebro mude sua posição dentro do crânio. Pesquisas com exames de imagem mostram que ele se desloca levemente para cima e para trás após missões espaciais, mesmo em períodos relativamente curtos.

O cérebro realmente muda de forma no espaço?
Sim. Além do deslocamento, os cientistas observaram algo ainda mais surpreendente: mudanças sutis na estrutura cerebral. Não se trata apenas de o cérebro “escorregar” dentro do crânio.
Diferentes regiões se movem em direções distintas, o que indica uma alteração real na forma do cérebro. Em missões mais longas, essas mudanças podem chegar a alguns milímetros e persistir por meses após o retorno.
Quais áreas do cérebro são mais afetadas?
As maiores alterações ocorrem em regiões ligadas ao equilíbrio, à percepção do corpo no espaço e ao controle de movimentos, funções essenciais para lidar com a gravidade.
Entre elas, destaca-se a ínsula posterior, uma área fortemente associada ao equilíbrio corporal. Alterações nessa região foram relacionadas a maior dificuldade de manter a estabilidade após o pouso na Terra.
Os principais sistemas afetados incluem:
- equilíbrio e orientação espacial
- propriocepção, que é a percepção da posição do corpo
- controle sensoriomotor, responsável por movimentos precisos
We're deciphering how the human body reacts to long missions in space.
— NASA (@NASA) June 23, 2025
A comprehensive suite of 14 experiments is looking closely at astronauts' bones, joints, hearts, and brain function when they spend time on the @Space_Station. Learn more about the CIPHER study:… pic.twitter.com/HQcKcVxeID
Essas mudanças afetam inteligência ou personalidade?
Até agora, não há evidências de alterações em inteligência, memória ou personalidade. Os impactos observados estão ligados principalmente à adaptação física ao ambiente.
O cérebro continua funcionando normalmente em termos cognitivos, mas precisa reaprender como lidar com a gravidade da Terra após longos períodos em microgravidade.
Por que isso é importante para o futuro da exploração espacial?
Com missões cada vez mais longas planejadas, como viagens a Marte, entender a adaptação do cérebro ao espaço se tornou crucial. Essas mudanças ajudam a explicar por que alguns astronautas levam semanas ou meses para recuperar o equilíbrio.
Esse conhecimento pode orientar novos programas de treinamento, reabilitação e prevenção, tornando a exploração espacial humana mais segura e sustentável no longo prazo.
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