Câmera flagra como cachalotes enfrentam lulas gigantes a 3 mil metros de profundidade
O confronto entre cachalotes e lulas colossais ganha registro em águas profundas e expõe detalhes da caça no breu marinho
Nas últimas décadas, registros em vídeo de cachalotes em águas profundas chamaram a atenção de pesquisadores e curiosos. Em uma dessas cenas, um grande macho mergulha rumo à escuridão do oceano para enfrentar uma lula gigantesca, cujos tentáculos bioluminescentes recortam o breu, ilustrando interações antes conhecidas sobretudo por cicatrizes nos corpos das baleias e restos de presas em estômagos analisados em laboratório.
O que torna a caça do cachalote em águas profundas tão singular?
O cachalote é uma das poucas espécies capazes de alcançar cerca de 3 mil metros de profundidade em busca de alimento. Nessa zona afótica, a luz solar não alcança, a pressão é extrema e a temperatura é baixa, exigindo adaptações fisiológicas e comportamentais altamente especializadas.
Esses cetáceos armazenam grandes quantidades de oxigênio nos músculos, reduzem a frequência cardíaca durante o mergulho e suportam a compressão dos pulmões. Em contrapartida, enfrentam lulas gigantes e colossais com até 14 metros de comprimento, compondo um dos confrontos mais emblemáticos das profundezas marinhas.
Como o cachalote utiliza a ecolocalização para caçar no escuro?
Em vez de depender da visão, o cachalote usa a ecolocalização como principal ferramenta de busca. Ele emite cliques sonoros muito intensos que se propagam pela água, atingem objetos e retornam em forma de eco, permitindo “mapear” o ambiente em completa escuridão.
Esse processo contínuo possibilita estimar tamanho, distância e movimento das lulas, coordenando aproximação cuidadosa, rapidez na mordida e resistência física. Um único mergulho pode durar mais de uma hora, alternando descida, patrulha em profundidade e retorno à superfície para respirar.
Assista a um vídeo que mostra como ocorre essa interação:
Deep below the surface, sperm whales hunt some of the ocean’s largest invertebrates – giant and colossal squid. pic.twitter.com/qphfYWLbKJ
— Nature Chapter (@NatureChapter) February 22, 2026
O que os estudos revelam sobre lulas gigantes na dieta do cachalote?
A maior parte do conhecimento sobre lulas gigantes e colossais vem do estudo de conteúdos estomacais de cachalotes. Em museus, pesquisadores analisam becas de lula, estruturas duras semelhantes a um bico, e estimam o tamanho e a espécie das presas consumidas.
Além disso, cicatrizes circulares na pele, principalmente na cabeça, coincidem com a forma dos ventosos das lulas colossais, revelando confrontos intensos. Essas evidências permitem reconstruir, de maneira indireta, a história desse embate entre predador e presa em grandes profundidades.
Quais evidências sustentam a coevolução entre cachalotes e lulas gigantes?
Relatos científicos sugerem que cachalotes e lulas gigantes vêm interagindo há milhões de anos, em um processo de coevolução. Cada espécie teria aprimorado características para caçar ou evitar ser caçada nas trevas do oceano profundo.
Entre os principais indícios dessa coevolução, destacam-se adaptações sensoriais, físicas e comportamentais que se complementam e se contrapõem ao longo do tempo:
Olhos enormes para detectar ameaças
Os olhos gigantes ajudam a captar movimentos e contrastes mínimos em águas profundas, permitindo detectar grandes predadores à distância.
Sonar potente e direcional
Cliques intensos e focados ajudam na navegação e na localização de presas em grandes profundidades, mesmo sem luz.
Ventosas com estruturas semelhantes a garras
A musculatura forte e as ventosas especializadas aumentam a capacidade de agarrar e resistir a grandes oponentes.
Mergulhos profundos e prolongados
Capazes de permanecer longos períodos submersos, ampliam a área de busca e aumentam a chance de encontrar presas nas profundezas.
Quais desafios ambientais afetam a caça do cachalote em profundidade
Essa relação predador-presa depende de cadeias alimentares estáveis e de um ambiente acústico relativamente silencioso. A pesca intensiva, mudanças na temperatura da água e o aumento de ruídos de origem humana podem alterar a distribuição das lulas e interferir na ecolocalização dos cachalotes.
À medida que novos vídeos em águas profundas são registrados, pesquisadores acompanham como esses impactos modernos se refletem em interações tão antigas quanto o próprio oceano, revelando a dinâmica da vida marinha em camadas ainda pouco exploradas.
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