Byung Chul Han, filósofo: "Vivemos em uma sociedade onde todos estão estressados porque sentem que não vão alcançar nada do que se propõem a fazer"

10.01.2026

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Byung Chul Han, filósofo: “Vivemos em uma sociedade onde todos estão estressados porque sentem que não vão alcançar nada do que se propõem a fazer”

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4 minutos de leitura 08.01.2026 11:34 comentários
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Byung Chul Han, filósofo: “Vivemos em uma sociedade onde todos estão estressados porque sentem que não vão alcançar nada do que se propõem a fazer”

A antiga lógica do “dever” disciplinar cede lugar à ideia de desempenho permanente, expressa em mantras como “é preciso se superar todos os dias”.

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Byung Chul Han, filósofo: "Vivemos em uma sociedade onde todos estão estressados porque sentem que não vão alcançar nada do que se propõem a fazer". Foto: Twitter (X) Fabián @Space_Fabian

O debate sobre a chamada sociedade do cansaço ganhou espaço ao descrever um mal-estar contemporâneo marcado pela autoexigência, pelo desempenho constante como critério de valor e pela transformação da liberdade em ferramenta de autoexploração, sobretudo a partir das reflexões do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.

O que é a sociedade do cansaço

A expressão sociedade do cansaço descreve um modelo social em que a cobrança é internalizada e o indivíduo passa a vigiar o próprio desempenho.

A antiga lógica do “dever” disciplinar cede lugar à ideia de desempenho permanente, expressa em mantras como “é preciso se superar todos os dias”.

Nesse cenário, o sujeito se enxerga como projeto e chefe de si mesmo, guiado por metas, comparações e indicadores.

O fracasso costuma ser interpretado como falha pessoal, obscurecendo fatores estruturais como desigualdade, precarização e excesso de demandas.

Como a autoexigência alimenta o estresse e a autoexploração

Na sociedade do cansaço, o “poder fazer” se converte em obrigação contínua de aprimorar currículo, corpo, carreira e relações.

O excesso de positividade — “você pode tudo” — acaba se voltando contra o indivíduo, que se culpa por não alcançar padrões quase inalcançáveis.

Essa lógica aparece em trabalhadores sobrecarregados, estudantes sempre conectados, autônomos dependentes de visibilidade e cuidadores sem pausas.

Mesmo o tempo livre é ocupado por tarefas produtivas, configurando uma forma de autoexploração que se apoia na sensação de liberdade de escolha.

Leia também: Homem descobre uma ferrovia histórica durante obras na Inland Rail

Quais são os principais sinais da sociedade do cansaço

O impacto desse regime de desempenho pode ser percebido em manifestações recorrentes ligadas ao corpo, às emoções e à organização do tempo.

Esses sinais ajudam a reconhecer quando o cansaço deixa de ser pontual e se torna um estado crônico de esgotamento.

  • Sensação persistente de cansaço, mesmo após períodos de descanso;
  • Dificuldade de desconectar de tarefas e preocupações cotidianas;
  • Impressão de estar sempre atrasado em relação às próprias metas;
  • Autocrítica elevada e sentimento de insuficiência constante;
  • Redução do tempo dedicado a atividades sem finalidade produtiva imediata.

Como o ritmo acelerado transforma nossa relação com o tempo

Um traço marcante desse contexto é a redução do tempo contemplativo, como caminhar sem pressa ou conversar sem olhar o relógio.

Em seu lugar, predominam agendas cheias, notificações e prazos curtos, reforçando uma sensação de urgência permanente.

Plataformas digitais e redes sociais intensificam essa dinâmica, estimulando respostas imediatas e atualizações constantes.

A experiência de silêncio, pausa e concentração prolongada torna-se rara, empobrecendo a criatividade, a reflexão e o contato aprofundado com o outro.

Por que o cansaço contemporâneo é um fenômeno coletivo

Embora muitas vezes tratado como falha individual, o cansaço crônico tem raízes sociais, ligadas à valorização da alta performance, à competitividade e à precarização do trabalho.

A exaustão se repete em diferentes contextos, indicando um modo específico de organização social e tecnológica.

Encarar o problema como coletivo desloca o foco da culpa pessoal para a crítica a modelos de sucesso e produtividade.

Repensar o ritmo de vida, recuperar a importância da pausa, do ócio e de formas de convivência não subordinadas ao desempenho torna-se, assim, uma questão de interesse público.

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