Assim é um país onde todas as drogas são permitidas visto de perto
Vancouver descriminalizou drogas, mas centro da cidade enfrenta overdose diária, tráfico aberto e falta de moradia, saúde e tratamento
Quando se fala em descriminalização das drogas, muita gente pensa em políticas modernas, redução de danos e ruas mais seguras. Mas, ao caminhar pelo centro de Vancouver, no Canadá, a realidade que aparece é bem diferente: um território marcado por dependência química pesada, overdose à luz do dia, economia criminosa ativa e dificuldade do poder público em equilibrar cuidado e controle.
O que aconteceu em Vancouver após descriminalizar pequenas quantidades de drogas?
Desde janeiro de 2023, Vancouver adotou a descriminalização do porte de pequenas quantidades de todas as drogas, com a promessa de reduzir mortes por overdose e o estigma sobre usuários. Na prática, o centro da cidade concentra uma grande cena aberta de uso, barracas, pessoas desmaiando nas calçadas e um ambiente que lembra uma cracolândia ampliada.
Em poucos quarteirões é comum ver consumo de fentanil, crack e metanfetamina em plena rua, ao lado de prédios comerciais e serviços públicos. A presença de pessoas em situação de rua, combinada ao uso intenso de substâncias muito potentes, gera um clima de caos constante e de convívio forçado entre comércio formal, moradores e a cena de drogas.

Como a oferta de drogas e de acessórios de consumo afeta o cenário local?
A facilidade de acesso às drogas é um dos elementos centrais desse contexto. Usuários relatam que basta caminhar poucos metros para encontrar fentanil, cocaína, heroína ou misturas pouco conhecidas, muitas vezes já “batizadas” com fentanil, o que aumenta o risco de overdose inclusive entre quem não busca opioides.
Comércios da região vendem cachimbos, bongs, maçaricos e outros acessórios de uso, o que reforça a sensação de que o consumo é amplamente tolerado. A descriminalização, somada à presença frágil de fiscalização e tratamento, cria um ambiente em que o acesso parece ilimitado, enquanto a rede de cuidado em saúde não dá conta da demanda.
Quais dinâmicas de rua e riscos aparecem no epicentro das drogas?
No bairro mais afetado, cenas de pessoas “nodding out” — quase desmaiando em pé sob efeito de opioides — se repetem em quase todas as esquinas. Overdoses são rotina, com equipes de rua e usuários usando naloxona para reverter paradas respiratórias em calçadas, becos e próximo a serviços públicos.
Ao redor, o tráfico atua a céu aberto, com olheiros em vielas e vendedores circulando de máscara e scooter. Serviços de redução de danos, como troca de seringas e distribuição de naloxona, tentam conter o estrago, mas convivem lado a lado com violência, conflitos, furtos em tempo real e forte presença de substâncias como fentanil e xilazina.

Como os usuários financiam o consumo diário de drogas?
O consumo diário de drogas pesadas é caro e alimenta uma economia paralela intensa. Muitos usuários relatam viver em ciclos de dívida com traficantes, furtos em lojas e revenda rápida de produtos, prática conhecida como “boosting”, além de prostituição e pequenos golpes para garantir o uso do dia.
Essas estratégias revelam a ligação direta entre vulnerabilidade social, dependência química e mercado ilícito. Diversas fontes apontam ainda que parte de benefícios e auxílios governamentais acaba desviada para o consumo, reforçando a percepção de que a política de descriminalização não foi acompanhada de políticas robustas de trabalho, renda e habitação.
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O que a experiência de Vancouver revela sobre descriminalização e políticas públicas?
A experiência de Vancouver expõe os limites de uma descriminalização focada apenas em retirar a punição ao usuário, sem estrutura suficiente de tratamento, moradia e saúde mental. Críticos e autoridades locais apontam que, ao contrário de Portugal ou Suíça, faltaram “ingredientes” essenciais para equilibrar redução de danos, controle do crime organizado e proteção social.
Na prática, o cenário observado no centro de Vancouver indica que a simples descriminalização, desacompanhada de planejamento urbano, ampliação de serviços de saúde e políticas de inclusão social, tende a concentrar ainda mais a miséria e o uso intenso de drogas em áreas específicas da cidade. Ao mesmo tempo em que reduz o encarceramento de usuários, não garante, por si só, acesso a tratamento, moradia digna ou alternativas de renda.
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