Assim é como realmente é Vênus. O planeta mais assustador do sistema solar?
Novas análises mostram que Vênus ainda é vulcanicamente ativo e abriga túneis de lava gigantes escondidos sob nuvens densas
Durante muito tempo, Vênus foi tratado como o “inferno” do Sistema Solar: quente demais, denso demais, tóxico demais. Novas análises de dados antigos, porém, mostram um planeta inquieto, com vulcanismo ativo, estruturas gigantes na crosta e possíveis túneis de lava colossais, transformando-o em um verdadeiro laboratório para entender mundos extremos.
Vênus é realmente o “gêmeo maligno” da Terra?
À primeira vista, Vênus e Terra parecem irmãos: tamanhos semelhantes, composição parecida e origem na mesma região do Sistema Solar. Mas, ao se olhar de perto, surgem temperaturas acima de 460 ºC, pressão dezenas de vezes maior que a terrestre e nuvens de ácido sulfúrico sufocando a superfície.
A luz visível mal atravessa essa camada espessa, forçando o uso de radares e raros pousos de sondas para observar o solo. Missões como as Venera soviéticas, nos anos 1970, e a Magellan, da NASA, nos anos 1990, foram decisivas para revelar em detalhe a face oculta desse mundo hostil.

Como sabemos que Vênus ainda é vulcanicamente ativo
Por décadas, se pensou que Vênus tivesse “congelado” geologicamente após erupções antigas gigantescas. Porém, a superfície com poucas crateras de impacto indica que o solo é jovem, renovado periodicamente por processos internos, o que contradiz a ideia de um interior completamente morto.
Uma revisão de dados da Magellan em 2023 comparou imagens da mesma região em épocas diferentes e encontrou um vulcão cuja cratera mudou de forma e tamanho, com sinais claros de fluxo recente de lava. Essa evidência direta mostra que o interior do planeta continua ativo, mesmo sem placas tectônicas como as da Terra.
O que as coronas revelam sobre o interior de Vênus
Espalhadas pelo planeta, coronas são grandes estruturas circulares com centenas de quilômetros de diâmetro, formadas por colunas de rocha quente que sobem do manto e deformam a crosta. Elas não se parecem com crateras de impacto nem com vulcões clássicos terrestres, o que por muito tempo desafiou os modelos geológicos.
Análises recentes de dezenas de coronas sugerem que muitas ainda estão ativas, com crosta afundando nas bordas enquanto material quente sobe no centro. Esse comportamento lembra zonas de subducção em pequena escala, indicando que Vênus pode reciclar parte de sua crosta sem ter um sistema de placas tectônicas completo.

Que evidências indicam túneis de lava gigantes em Vênus
Imagens de radar mostram cadeias sinuosas de depressões descendo encostas vulcânicas, com buracos alternando entre aberturas pequenas e crateras maiores. Esses alinhamentos não se comportam como falhas tectônicas comuns, mais retas e regulares, mas lembram tetos de túneis de lava em colapso parcial.
Modelos sugerem túneis possivelmente maiores que os da Lua, algo surpreendente para a gravidade venusiana. Hipóteses discutem o papel da alta pressão atmosférica, do calor intenso que mantém a lava fluida por longas distâncias e de possíveis particularidades químicas das rochas no suporte de cavernas tão extensas.
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O que as próximas missões podem descobrir em Vênus
Até agora, coronas e túneis de lava são conhecidos apenas por radar e modelos, mas missões futuras devem detalhar a estrutura interna e a superfície. Essas investigações vão ajudar a entender não só a história de Vênus, como também de exoplanetas encobertos por nuvens densas, potencialmente parecidos com ele.
Entre os principais objetivos das missões planejadas estão o mapeamento mais preciso da crosta, a identificação de regiões atualmente vulcanicamente ativas, a caracterização da interação entre interior e atmosfera e a reconstrução da evolução climática do planeta, desde possíveis fases mais amenas até o estado extremo observado hoje.
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