Animal “do diabo” bebe com a pele e sobrevive em áreas extremas
Entre os répteis do deserto australiano, um pequeno lagarto espinhoso chama atenção por uma habilidade singular: beber água com a pele
Entre os répteis do deserto australiano, um pequeno lagarto espinhoso chama atenção por uma habilidade singular: beber água com a pele.
O Moloch horridus, conhecido como diabo-espinhoso, usa microcanais entre as escamas para captar e conduzir umidade até a boca, tornando-se um modelo de adaptação hídrica estudado pela ciência contemporânea.
Como a pele do diabo-espinhoso capta água no deserto?
A pele do diabo-espinhoso é recoberta por espinhos e uma rede de microcanais interligados. Esses canais funcionam como minúsculos tubos, capazes de puxar água por capilaridade a partir de orvalho, chuva fina ou umidade presa entre grãos de areia.
Quando a água entra em contato com o corpo, espalha-se pelos canais até as comissuras labiais. Pequenos movimentos da mandíbula completam a ingestão, sem que o lagarto precise colocar o focinho diretamente em poças ou cursos d’água visíveis.

De onde vem a água aproveitada pelo diabo-espinhoso?
Esse lagarto vive em regiões de chuvas escassas, alta evaporação e fontes líquidas quase inexistentes na superfície. Por isso, qualquer forma discreta de umidade torna-se relevante para sua sobrevivência diária.
A água pode vir de neblina ocasional, chuvas rápidas, condensação entre partículas do solo ou areia levemente umedecida. Ao achatar o corpo contra o chão, o animal aumenta a área de contato e transforma o próprio substrato arenoso em um reservatório difuso de microgotas.
Quais adaptações complementam a estratégia hídrica?
A sobrevivência do diabo-espinhoso não depende apenas da pele que conduz água. Um conjunto de adaptações comportamentais e fisiológicas atua em conjunto para reduzir riscos e economizar recursos.
Entre as principais características que completam esse “pacote de sobrevivência” desértico, destacam-se:
- Dieta especializada: consome quase só formigas, em grande quantidade diária.
- Metabolismo econômico: reduz perdas de água e energia.
- Comportamento críptico: coloração e postura favorecem camuflagem.
- Espinhos de proteção: desencorajam aves de rapina e outros predadores.
Qual o papel dos espinhos na coleta de umidade?
Os espinhos não armazenam água, mas ampliam a área total da superfície corporal. Com mais área exposta, aumenta-se o contato com orvalho e pequenas gotas que se formam sobre o corpo e o solo aquecido.
Essa morfologia cria uma arquitetura em que defesa, camuflagem e hidratação se integram. Os espinhos ajudam a capturar umidade, guiada pelos microcanais até a boca, enquanto ao mesmo tempo dificultam o ataque de predadores.
Como o diabo-espinhoso inspira novas tecnologias de captação de água?
O funcionamento dos microcanais da pele inspira pesquisas em biomimética e ciência de materiais. A geometria dos canais e as propriedades hidrofílicas da superfície orientam o desenvolvimento de tecnologias de coleta passiva de água.
Entre as aplicações em estudo estão superfícies que concentram neblina, materiais que direcionam chuva para reservatórios, sistemas de dessalinização passiva e estruturas para captar umidade atmosférica em regiões com escassez hídrica, usando pouca energia e copiando soluções refinadas pela evolução no deserto australiano.
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