A Guerra do Futebol que durou 100 horas

01.02.2026

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A Guerra do Futebol que durou 100 horas

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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 31.01.2026 22:01 comentários
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A Guerra do Futebol que durou 100 horas

A Guerra do Futebol foi um conflito armado entre El Salvador e Honduras em julho de 1969, no contexto das Eliminatórias da Copa de 1970

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A Guerra do Futebol que durou 100 horas

A chamada Guerra do Futebol, travada entre El Salvador e Honduras em julho de 1969, foi um conflito de quatro dias cujo impacto extrapolou o campo militar, envolvendo migração em massa, disputa por terras, tensões comerciais e uso político do futebol.

O que foi a Guerra do Futebol e qual seu contexto histórico?

A Guerra do Futebol foi um conflito armado entre El Salvador e Honduras em julho de 1969, no contexto das Eliminatórias da Copa de 1970.

O nome se popularizou pela coincidência com três partidas decisivas entre as seleções, marcadas por violência nas arquibancadas e discursos nacionalistas.

Pesquisadores, porém, ressaltam que o futebol funcionou como catalisador, e não como causa principal. As raízes estavam em migração intensa, crise agrária, disputas fronteiriças e interesses econômicos no Mercado Comum Centro-americano, já desgastado antes dos jogos.

A Guerra do Futebol que durou 100 horas
A Guerra do Futebol que durou 100 horas – Créditos: depositphotos.com / AleksTaurus

Quais foram as principais causas estruturais do conflito?

El Salvador tinha território reduzido, alta densidade populacional e forte concentração fundiária, pressionando camponeses a migrar para Honduras. Lá, muitos passaram a ocupar áreas ligadas ao agronegócio da banana, despertando reação de latifundiários e empresas estrangeiras.

Honduras, por sua vez, adotou políticas de reforma agrária que, na prática, expulsaram milhares de salvadorenhos considerados invasores. Para El Salvador, isso configurava perseguição e expropriação, agravando tensões diplomáticas e nacionalistas em ambos os países.

Como a Guerra das 100 Horas se desenrolou militarmente?

Após a escalada de hostilidades ligadas aos jogos, os países romperam relações diplomáticas. Em 14 de julho de 1969, El Salvador lançou ofensiva terrestre e aérea sobre território hondurenho, iniciando a Guerra das 100 Horas.

Honduras reagiu militarmente, e os combates levaram à morte de milhares de pessoas, entre civis e militares. A Organização dos Estados Americanos interveio e mediou um cessar-fogo em 18 de julho, seguido de retirada gradual das tropas e negociações de paz concluídas apenas em 1980.

Quais consequências políticas, sociais e esportivas a guerra gerou?

O conflito deixou impactos humanos profundos, com deslocados internos e expulsão em massa de camponeses salvadorenhos de Honduras. Em El Salvador, o prestígio militar reforçou regimes autoritários que mais tarde se relacionariam à guerra civil.

Para compreender melhor esses desdobramentos, destacam-se alguns efeitos principais observados na região:

  • Enfraquecimento do Mercado Comum Centro-americano e das iniciativas de integração econômica.
  • Aumento da pressão sobre terras em El Salvador, alimentando tensões internas por décadas.
  • Transformação dos confrontos entre seleções em símbolo global da instrumentalização política do futebol.

O canal Vogalizando a História contou um pouco de como foi a Guerra do Futebol:

Qual é o legado atual da Guerra do Futebol?

Décadas depois, o termo Guerra do Futebol segue usado em livros e documentários, mas muitos historiadores preferem Guerra das 100 Horas, por enfatizar o caráter militar e estrutural do conflito. A explicação puramente esportiva é vista como simplificadora.

As relações entre El Salvador e Honduras passaram por fases de distanciamento e reaproximação, enquanto, nos gramados, a rivalidade tornou-se predominantemente esportiva.

O episódio permanece como alerta de como desigualdades sociais e disputas agrárias podem ser canalizadas por eventos esportivos sem que o futebol seja, de fato, a causa da guerra.

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