A Guerra do Futebol que durou 100 horas
A Guerra do Futebol foi um conflito armado entre El Salvador e Honduras em julho de 1969, no contexto das Eliminatórias da Copa de 1970
A chamada Guerra do Futebol, travada entre El Salvador e Honduras em julho de 1969, foi um conflito de quatro dias cujo impacto extrapolou o campo militar, envolvendo migração em massa, disputa por terras, tensões comerciais e uso político do futebol.
O que foi a Guerra do Futebol e qual seu contexto histórico?
A Guerra do Futebol foi um conflito armado entre El Salvador e Honduras em julho de 1969, no contexto das Eliminatórias da Copa de 1970.
O nome se popularizou pela coincidência com três partidas decisivas entre as seleções, marcadas por violência nas arquibancadas e discursos nacionalistas.
Pesquisadores, porém, ressaltam que o futebol funcionou como catalisador, e não como causa principal. As raízes estavam em migração intensa, crise agrária, disputas fronteiriças e interesses econômicos no Mercado Comum Centro-americano, já desgastado antes dos jogos.

Quais foram as principais causas estruturais do conflito?
El Salvador tinha território reduzido, alta densidade populacional e forte concentração fundiária, pressionando camponeses a migrar para Honduras. Lá, muitos passaram a ocupar áreas ligadas ao agronegócio da banana, despertando reação de latifundiários e empresas estrangeiras.
Honduras, por sua vez, adotou políticas de reforma agrária que, na prática, expulsaram milhares de salvadorenhos considerados invasores. Para El Salvador, isso configurava perseguição e expropriação, agravando tensões diplomáticas e nacionalistas em ambos os países.
Como a Guerra das 100 Horas se desenrolou militarmente?
Após a escalada de hostilidades ligadas aos jogos, os países romperam relações diplomáticas. Em 14 de julho de 1969, El Salvador lançou ofensiva terrestre e aérea sobre território hondurenho, iniciando a Guerra das 100 Horas.
Honduras reagiu militarmente, e os combates levaram à morte de milhares de pessoas, entre civis e militares. A Organização dos Estados Americanos interveio e mediou um cessar-fogo em 18 de julho, seguido de retirada gradual das tropas e negociações de paz concluídas apenas em 1980.
Quais consequências políticas, sociais e esportivas a guerra gerou?
O conflito deixou impactos humanos profundos, com deslocados internos e expulsão em massa de camponeses salvadorenhos de Honduras. Em El Salvador, o prestígio militar reforçou regimes autoritários que mais tarde se relacionariam à guerra civil.
Para compreender melhor esses desdobramentos, destacam-se alguns efeitos principais observados na região:
- Enfraquecimento do Mercado Comum Centro-americano e das iniciativas de integração econômica.
- Aumento da pressão sobre terras em El Salvador, alimentando tensões internas por décadas.
- Transformação dos confrontos entre seleções em símbolo global da instrumentalização política do futebol.
O canal Vogalizando a História contou um pouco de como foi a Guerra do Futebol:
Qual é o legado atual da Guerra do Futebol?
Décadas depois, o termo Guerra do Futebol segue usado em livros e documentários, mas muitos historiadores preferem Guerra das 100 Horas, por enfatizar o caráter militar e estrutural do conflito. A explicação puramente esportiva é vista como simplificadora.
As relações entre El Salvador e Honduras passaram por fases de distanciamento e reaproximação, enquanto, nos gramados, a rivalidade tornou-se predominantemente esportiva.
O episódio permanece como alerta de como desigualdades sociais e disputas agrárias podem ser canalizadas por eventos esportivos sem que o futebol seja, de fato, a causa da guerra.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)