A força mental que pessoas nascidas nas décadas de 60 e 70 forjaram e a Geração Z não tem
A resiliência mental descreve a capacidade de se adaptar a situações difíceis sem se desorganizar completamente.
Entre as décadas de 1960 e 1970, quem cresceu em um mundo analógico conviveu com ritmos mais lentos, menos recursos tecnológicos e um cotidiano cheio de esperas, o que ajudou a formar uma geração com um tipo de resiliência mental.
Essa condição contrasta com o modo de vida da geração Z, marcada pela pressa, conexão permanente e busca por conforto emocional.
No meio dessa condição existencial está a psicologia contemporânea tenta entender como cada um desses contextos moldam a mente sem apontar vencedores.
O que é resiliência mental e como ela mudou entre gerações
A resiliência mental descreve a capacidade de se adaptar a situações difíceis sem se desorganizar completamente.
Quem nasceu entre 1960 e 1970 conviveu com atrasos, falhas técnicas e serviços lentos como parte natural da vida, o que favoreceu maior tolerância à frustração.
Entre os nascidos a partir do fim dos anos 1990, o cenário é de conexões rápidas, respostas imediatas e redes sociais.
A resiliência psicológica se constrói em ambiente com mais debate sobre limites emocionais e autocuidado, mas com menor tolerância à demora e ao tédio.
Como o mundo analógico favorecia paciência, tédio produtivo e foco
Crescer em um ambiente analógico significava lidar diariamente com o tempo de espera: cartas demoradas, fotos que precisavam ser reveladas e programas de TV com horário fixo.
Esse cotidiano reforçava paciência, aceitação da incerteza e maior tolerância à frustração.
O tédio também exercia papel importante na formação da fortaleza emocional, pois sem distrações digitais o cérebro era estimulado a criar, imaginar e explorar.
Alguns aspectos centrais desse contexto podem ser resumidos assim:
- Espera constante: boletos, cartas e serviços públicos e bancários lentos.
- Menos distrações digitais: foco mais prolongado em cada atividade diária.
- Tédio produtivo: espaço para imaginação, reflexão e introspecção.
- Aprendizado prático: consertos e tarefas resolvidos por tentativa e erro.
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Como as relações presenciais influenciaram a força emocional
As relações presenciais das décadas de 1960 e 1970 exigiam encarar conflitos cara a cara, com leitura de expressões, tom de voz e linguagem corporal.
Isso favoreceu o desenvolvimento de habilidades socioemocionais como empatia, autocontrole e comunicação assertiva.
A geração Z cresceu com a possibilidade de bloquear contatos, silenciar conversas e discutir em espaços virtuais, o que facilita o afastamento rápido, mas amplia mal-entendidos e exposição a críticas online, exigindo novas formas de educação emocional.
A saúde mental da geração Z está realmente pior
Pesquisas em psicologia e saúde mental indicam aumento nos relatos de ansiedade e depressão entre jovens desde meados da década de 2010.
Isso se relaciona a um ambiente mais acelerado, competitivo e exposto, além de maior abertura para falar de sofrimento psíquico e buscar terapia.
Enquanto gerações anteriores aprenderam a seguir em frente reprimindo emoções, a juventude atual constrói a resiliência mental com informação, apoio profissional e redes de apoio online, valorizando expressão de sentimentos e limites pessoais.
Marie-Estelle Dupont analyse les causes profondes de l’explosion des dépressions et des maladies mentales dans la société française, en particulier chez les jeunes. →https://t.co/jQpJMo6lHs pic.twitter.com/pO5pK6IomB
— Le Figaro (@Le_Figaro) January 2, 2026
Como integrar o melhor de cada época para fortalecer a mente
Especialistas defendem que não há geração “mais forte”, mas contextos diferentes que produzem formas distintas de resiliência.
O desafio atual é combinar a tolerância à frustração e ao tédio, típica do mundo analógico, com a consciência emocional e o acesso a cuidados psicológicos da era digital.
Ao reconhecer vantagens e fragilidades de cada época, é possível criar estratégias mais equilibradas de saúde mental, que unam paciência, presença, autocuidado e capacidade de pedir ajuda quando necessário.
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