A Batalha de Karansebes: o exército que destruiu a si mesmo
A chamada Batalha de Karansebes, em 1788, teria sido um episódio de caos no exército austríaco contra o Império Otomano
A chamada Batalha de Karansebes, em 1788, teria sido um episódio de caos no exército austríaco contra o Império Otomano, em que o fogo amigo e a desorganização interna provocaram baixas significativas antes mesmo do contato com o inimigo.
O que foi a Batalha de Karansebes?
A narrativa situa o episódio nas imediações da atual cidade romena de Caransebeș, durante a guerra austro-otomana, às margens do rio Danúbio. Um exército heterogêneo, com soldados de diferentes etnias e idiomas, compunha as forças austríacas em campanha contra os otomanos.
O caso ficou conhecido por descrever uma noite de tensão em que boatos, ordens mal compreendidas e uso de álcool teriam desencadeado pânico generalizado. Parte das baixas relatadas seria resultado de unidades austríacas disparando umas contra as outras, acreditando enfrentar tropas turcas.
The Austrian army in 1788 pulled off the ultimate self-own at the Battle of Karánsebes.
— Bronze Age Pajeeta (@napoleonpajeet) January 27, 2026
They split up, scouts found schnapps and got hammered. Main force arrives at night, hears yelling in the dark, thinks it's Turks → opens fire on their own drunk comrades.
Drunks fire back… pic.twitter.com/Mt04ahVjNr
Como teria começado a confusão em Karansebes?
Segundo a versão mais difundida, um destacamento de cavalaria enviado para reconhecimento encontrou comerciantes vendendo aguardente forte. A tropa teria comprado a bebida e iniciado uma festa improvisada, em meio à marcha e ao cansaço.
Soldados de infantaria que chegaram depois teriam exigido parte do álcool, gerando discussões, ameaças e desordem. Um disparo isolado, feito durante o tumulto, teria sido interpretado como sinal de ataque inimigo, levando ao grito de que “os turcos” estavam atacando o acampamento.
Como o pânico levou ao fogo amigo?
Com a notícia de um suposto ataque otomano espalhando-se no escuro, a diversidade linguística entre austríacos, sérvios, croatas, italianos e outros grupos agravou os equívocos. Palavras de comando em alemão teriam sido confundidas com gritos de guerra turcos, intensificando o medo.
Relatos do século XIX descrevem unidades de cavalaria e infantaria trocando tiros entre si, convictas de enfrentar o inimigo. Na confusão, oficiais de artilharia também teriam aberto fogo contra suas próprias linhas, provocando recuo em desordem, abandono de canhões e perda de equipamentos.
A Batalha de Karansebes realmente aconteceu dessa forma?
A história é conhecida principalmente por fontes posteriores, algumas escritas décadas depois, o que gera dúvidas sobre sua exatidão. Os primeiros relatos detalhados surgem apenas no século XIX, misturando memórias, crônicas e anedotas, sem plena concordância entre si.
Pesquisas em arquivos austríacos apontam discrepâncias nos números de baixas, frequentemente inflados em obras populares.
Documentos sugerem perdas menores do que as “dezenas de milhares” às vezes citadas, e lembram que mosquetes de carregamento lento dificultariam um massacre prolongado nas proporções mais sensacionalistas.
O canal Minutos de história publicou uma ilustração feita por inteligência artificial de como teria ocorrido a Batalha de Karansebes:
Como os historiadores analisam o episódio de Karansebes
Estudiosos tendem a tratar Karansebes como um episódio em que fato e lenda se misturam, aceitando a possibilidade de um incidente de fogo amigo ampliado por tradições orais. Para organizar essa análise, alguns elementos aparecem recorrentemente nas pesquisas especializadas.
- Diversidade linguística: múltiplos idiomas no mesmo exército, dificultando ordens claras.
- Condições de campanha: cansaço, doenças e tensão tornando os soldados mais suscetíveis ao pânico.
- Uso de álcool: consumo de bebidas fortes comprometendo disciplina e discernimento.
- Fontes tardias: ausência de relatórios contemporâneos detalhados reforçando a hipótese de exageros posteriores.
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