Estudantes criam carro elétrico que se desmonta e volta a estrada como se nada tivesse acontecido
Um projeto que coloca a indústria contra a parede
O desenvolvimento do ARIA, um veículo elétrico modular criado por estudantes da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, coloca em evidência a possibilidade de tornar a mobilidade elétrica mais simples, reparável e acessível, com um carro projetado para ser consertado com ferramentas básicas e instruções claras, reduzindo custos e prolongando a vida útil.
O que torna o carro elétrico modular ARIA diferente?
A principal característica do ARIA, sigla para “Anyone Repairs It Anywhere”, é a modularidade aplicada a baterias, painéis de carroçaria e módulos eletrônicos. Cada componente crítico pode ser removido de forma independente, sem necessidade de equipamentos industriais, permitindo que apenas a parte defeituosa seja substituída.
Com velocidade máxima em torno de 90 km/h e autonomia aproximada de 220 km, graças a seis módulos de bateria que somam cerca de 12,96 kWh, o protótipo prioriza acessibilidade e reparabilidade em vez de desempenho esportivo ou de luxo, demonstrando um conceito de carro elétrico mais simples e durável.
Como a modularidade reduz custos e desperdício?
Enquanto a maioria dos veículos elétricos utiliza um único pack de bateria caro e difícil de substituir, o ARIA adota uma estrutura modular que permite intervenções localizadas. Ao trocar apenas o módulo degradado, reduz-se o custo de manutenção e evita-se o abate precoce de carros ainda funcionais.
Essa filosofia também vale para a carroçaria e a eletrónica, permitindo a substituição seletiva de painéis danificados e módulos eletrônicos específicos. Esse conceito reforça um ecossistema de reparação mais sustentável e menos dependente de oficinas especializadas.
- Menor dependência de oficinas especializadas graças a reparos com ferramentas comuns.
- Substituição seletiva de componentes, trocando apenas o módulo com defeito.
- Vida útil prolongada do veículo, que permanece utilizável por mais tempo.
- Redução de resíduos, com menos carros e baterias enviados para sucata.
Confira o trailer oficial do veículo:
Como o ARIA se conecta ao direito à reparação?
O ARIA foi concebido em sintonia com o movimento Right to Repair, que defende produtos mais duráveis e reparáveis, em vez de facilmente descartáveis. Embora a União Europeia avance em regras para eletrônicos e eletrodomésticos, os carros elétricos de passageiros ainda aparecem pouco contemplados.
Ao ser montado em ambiente universitário em cerca de um ano, o protótipo mostra que a complexidade atual dos veículos resulta também de escolhas de design. Isso reforça a necessidade de incluir a reparabilidade nos projetos e de aproximar a legislação automotiva do direito à reparação.
Quais caminhos o carro elétrico modular pode abrir para a indústria?
Mesmo sem planos de comercialização até 2025, o ARIA aponta direções para tornar a mobilidade elétrica mais acessível. Entre elas estão o desenho de veículos pensados para manutenção, o acesso facilitado a peças e manuais e a formação de técnicos em sistemas modulares de baixa e alta tensão.
Essas diretrizes podem ajudar a reduzir custos, democratizar o reparo e incentivar modelos de negócio baseados em longevidade, em vez de substituição rápida de veículos inteiros.

O carro elétrico modular é uma solução realista para o futuro?
Apesar do potencial, o ARIA ainda é um protótipo acadêmico, sem dados robustos sobre durabilidade em longas distâncias, em estradas irregulares ou sob climas extremos. Questões como vedação, resistência mecânica dos encaixes e segurança a longo prazo precisam ser validadas antes de qualquer escala industrial.
Projetos como o XBUS e o Kia PV5 mostram que a modularidade já é explorada com outros fins, mas o ARIA destaca a reparabilidade pelo utilizador comum. Mesmo que não chegue à produção, indica que um veículo elétrico modular, acessível e durável é tecnicamente viável e pode influenciar a regulação e as escolhas futuras da indústria.
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