União Europeia e Índia fecham acordo comercial histórico
Acordo comercial histórico entre europeus e indianos, após anos de negociação, foi acelerado por ações de Trump
A União Europeia e a Índia fecharam um acordo de livre comércio após anos de negociação e que teve como um de seus catalisadores as novas tarifas anunciadas pelo governo Donald Trump.
O entendimento foi concluído em Nova Delhi e busca reduzir barreiras em setores sensíveis como automóveis, bebidas, têxteis, produtos farmacêuticos e bens industriais, além de ampliar o acesso a serviços e compras governamentais.
Pelo texto acertado, as tarifas sobre carros e autopeças serão cortadas de forma gradual, abrindo espaço para fabricantes europeus em um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Em troca, a Índia garante condições mais favoráveis para exportações de têxteis, calçados, produtos químicos e itens agrícolas processados.
O acordo prevê liberalização tarifária ampla e escalonada, com 96,6% das exportações da União Europeia para a Índia e cerca de 99% das exportações indianas para o mercado europeu, passando a ter tratamento preferencial ao longo de até sete anos.
Estimativas oficiais indicam economia anual de cerca de 4 bilhões de euros em impostos de importação para empresas europeias. O comércio bilateral de bens, hoje próximo de 120 bilhões de euros por ano, soma-se a um fluxo de serviços em torno de 60 bilhões de euros.
No setor automotivo, tarifas da Índia que chegavam a 110% serão reduzidas gradualmente, podendo cair para patamares próximos de 10% em determinados segmentos e dentro de cotas.
Impostos sobre vinhos e destilados, hoje em torno de 150%, terão cortes iniciais para cerca de 75%, com reduções adicionais previstas, um ponto sensível para países como França e Itália.
Produtos têxteis, couro, joias, químicos e itens industriais indianos terão acesso facilitado ao mercado europeu, enquanto o acordo também cobre serviços, compras públicas e regras regulatórias, envolvendo um mercado combinado de quase 2 bilhões de consumidores.
Autoridades da União Europeia e da Índia tratam o pacto como uma resposta prática ao avanço do protecionismo em outras frentes. Com os Estados Unidos subindo tarifas e revendo compromissos comerciais, Bruxelas aposta em parcerias que garantam previsibilidade para empresas e investidores.
Para Nova Délhi, o acerto ajuda a diversificar destinos de exportação e a atrair investimentos em setores ligados à transição energética, tecnologia e manufatura avançada.
O acordo vai além de tarifas. Há capítulos sobre propriedade intelectual, padrões sanitários, sustentabilidade ambiental e direitos trabalhistas. A versão final busca acomodar interesses políticos internos, sobretudo na Índia, onde a abertura agrícola sempre enfrentou resistência.
A União Europeia aceitou prazos mais longos em alguns segmentos, enquanto obteve compromissos de maior transparência regulatória.
Estudos citados por governos e instituições independentes indicam ganhos de renda, redução de custos para consumidores e maior integração industrial, embora efeitos variem entre países e setores.
Os próximos passos são a revisão legal e tradução, que pode demorar até 6 meses, passando então para a assinatura formal, ainda em 2026, indo para a aprovação pelo Parlamento Europeu e Conselho da UE, e ratificação pela Índia. A implementação é esperada para o início de 2027.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)