Um técnico de futebol no escândalo do Banco Master?
Investigações do MPF apontam que um técnico espanhol de um time indiano de futebol aparece como sócio de empresa suspeita
Investigações do Ministério Público Federal (MPF) relacionadas ao esquema de fraudes em fundos de investimentos revelam que um técnico espanhol de um time indiano aparece como sócio de uma empresa que tomou um empréstimo de 468,8 milhões de reais do Banco Master.
Essa empresa, em seguida, aportou praticamente todo o valor em um fundo de investimentos ligados à Reag, que foi liquidada pelo Banco Central nesta quinta-feira sob suspeita de vender títulos podres ao mercado.
Segundo reportagem do jornal O Globo, o nome de Juan Pedro Benali Hammou, técnico do NorthEast United, clube da Super League indiana, foi utilizado na constituição societária da empresa BMQ Mirage, registrada em São Paulo como atacadista de produtos alimentícios. A empresa tinha capital social de 900 mil reais.
A BMQ contraiu o empréstimo milionário junto ao Master em junho de 2024. Segundo documentos obtidos pela reportagem, havia uma cláusula que determinava o reinvestimento de pelo menos 90% desse valor em fundos administrados pela Reag. E, de fato, isso foi feito. Após receber o empréstimo do Master, a BMQ aportou 444 milhões de reais em um fundo ligado à Reag. A Reag está sendo investigada sob suspeita de vender títulos podres ao mercado.
“Sou um treinador de futebol. Não faço ideia de uma empresa no Brasil. Só conheço pessoas ligadas ao futebol”, disse o técnico à reportagem de O Globo.
A liquidação da Reag
Como mostramos, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., nova denominação de Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
A decretação foi motivada por “graves violações” às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Segundo o BC, a Reag é uma instituição enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial e representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN.
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, afirmou a autoridade monetária, em comunicado.
“Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, acrescentou.
Reag, Master e PCC
O investidor João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta, 14, pela Polícia Federal.
A operação investiga fraudes no Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que o Master recebeu investimentos bilionários do Hans 95, maior fundo da Reag.
O fundo fez aportes de 124 milhões de reais em CDBs do Master em outubro de 2024.
Outros dois fundos do Hans 95 –Astralo 95 e Murren 41– fizeram alocações ainda maiores em ativos do banco.
A Reag também foi uma das empresas investigadas na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado para investigar lavagem de dinheiro ligada à máfia dos combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Leia também: BC liga quatro fundos ao crime organizado em apuração sobre o Banco Master
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