Trump contra a Netflix?
A venda da Warner à Netflix ganha contornos políticos com críticas públicas de Trump e atenção de órgãos reguladores
Donald Trump voltou a intervir diretamente no debate sobre poder e mídia nos Estados Unidos ao se posicionar contra o acordo que prevê a compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix.
A operação, anunciada no fim de 2025, ainda depende de aval regulatório e trouxe luz a uma disputa que vai além do setor audiovisual, envolvendo política, influência e controle de narrativas.
Depois de uma reunião considerada positiva com Ted Sarandos, CEO da Netflix, Trump passou a criticar abertamente a negociação, mesmo reconhecendo que não mantém relação próxima nem com a Netflix, nem com seus concorrentes.
O foco do presidente estaria no tamanho que o novo grupo teria e no impacto que isso poderia gerar no mercado de informação e entretenimento, deixando no ar a possibilidade de interferência política na decisão, já que o processo depende do crivo de autoridades federais.
A leitura de parte opinião pública é que a questão seja tratada como um embate político disfarçado de negociação empresarial.
Trump veria na Warner, especialmente por meio do seu braço jornalístico CNN, um ativo estratégico a interferir.
A possibilidade de mudança de controle reforça a impressão de que seu interesse não se limita a garantir uma melhor concorrência econômica, mas em tentar interferir no direcionamento editorial de um grande representante desse grupo.
Trump indicou que não está confortável com a Netflix assumindo o controle da Warner, sugerindo que o processo de aprovação não será automático.
É importante lembrar que a proposta da Netflix exclui a CNN da compra, o que manteria o canal de notícias com a atual gestão, não vista como favorável a Trump.
Ao mesmo tempo, o presidente americano evita endossar a proposta da Paramount, mantendo uma postura de pressão indireta sobre todo o setor. A oferta do grupo da família Ellison, que tenta se colocar como alternativa à da Netflix, englobaria a aquisição da CNN.
Há uma percepção em Washington de que Trump está usando o crivo regulatório para forçar a CNN a ir para mãos aliadas. Se a Netflix não comprar a CNN (o que ela não quer fazer), Trump poderia dificultar o acordo para favorecer a oferta dos Ellison.
Em 7 de janeiro, o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA já iniciou audiências sobre politização de revisões de fusões, com democratas acusando a administração de usar o antitruste para fins de chantagem política.
Como se vê, com Trump intervindo no debate, a operação bilionária ganhou um peso que ultrapassa os limites econômicos.
A definição sobre o futuro da Warner tende a expor até onde vai a influência política sobre decisões que, em tese, deveriam ser apenas regulatórias.
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