Setor produtivo alerta Senado para alta de preços com fim da escala 6×1
Empresários pedem que debate sobre redução da jornada saia do clima eleitoral e afirmam que propostas podem elevar custos em até 8%
Representantes do setor produtivo foram ao Senado nesta terça-feira, 26, para pressionar por uma discussão mais “técnica” sobre o fim da escala 6×1. Em reunião com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e líderes partidários, empresários defenderam que o tema seja debatido apenas após o período eleitoral.
A discussão ocorre em meio ao avanço das propostas na Câmara dos Deputados. Os textos em análise substituem a escala de seis dias de trabalho para um de descanso pelo modelo 5×2, além de reduzirem a jornada máxima semanal de 44 horas.
Entre as propostas estão o PL 1.838/2026, enviado pelo governo federal, a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A expectativa é que o parecer da Câmara sobre as PECs seja votado ainda nesta semana. Caso aprovado, o texto seguirá para o Senado.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, criticou o que classificou como uso político da pauta trabalhista.
“Há políticos que usam das pessoas e dos interesses do país para bandeiras políticas e para efeito eleitoral”, afirmou.
Skaf também defendeu que o Senado faça uma análise aprofundada dos impactos econômicos da mudança. Segundo ele, cerca de 2 mil atividades seriam afetadas pela alteração da jornada de trabalho.
“O que se pede? Vamos sair desse período eleitoral, vamos discutir isso com a profundidade que seja verdadeira e necessária”, declarou.
Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, afirmou que a entidade não tenta barrar a discussão, mas alertar para os possíveis efeitos econômicos das propostas.
Para Alban, os textos em debate representam um “equívoco” e podem provocar aumento médio nos preços entre 6% e 8%.
“Não se pode discutir um assunto desses, com tamanha seriedade e importância, de uma forma açodada”, disse.
Os representantes do setor produtivo também criticaram o que chamaram de “engessamento” das regras trabalhistas na Constituição e defenderam que mudanças na jornada sejam definidas por negociação entre empregadores e trabalhadores.
“Mais diálogo, mais negociação e menos legislação”, resumiu Skaf.
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