Risco-país da Argentina ultrapassa 1300 pontos
Investidores estão preocupados com falta de crescimento econômico, alta da rejeição de Milei e possível derrota eleitoral
A Argentina enfrenta uma nova onda de turbulência financeira, marcada pela fuga de investidores e pelo aumento expressivo do risco-país, que chegou a atingir cerca de 1.337 pontos, o nível mais alto desde outubro de 2024, após o ponto mais baixo, de 561 pontos, em janeiro.
Essa escalada reflete a crescente desconfiança sobre a capacidade do governo de Javier Milei em implementar reformas econômicas e controlar a inflação, agravando a percepção de risco soberano no mercado internacional.
Os títulos da dívida pública, conhecidos como bonos, registraram forte desvalorização nos últimos dias, pressionados pela demanda por retornos mais altos em função do aumento do risco.
Essa dinâmica eleva o custo do financiamento externo e reforça a volatilidade do mercado financeiro local, com o Índice Merval, o principal do país, caindo 5% na tarde de hoje.
Em paralelo, a fuga de capitais tem impactado a cotação do peso argentino, ampliando a crise cambial e dificultando medidas de estímulo à economia.
Ontem, o Banco Central da Argentina teve que intervir no mercado e queimou 53 milhões de dólares de suas reservas para conter a valorização do dólar.
A medida reflete a pressão sobre Milei para manter o dólar dentro dos patamares ajustados em seu acordo com o FMI ao mesmo tempo que não pode gastar suas reservas para poder seguir pagando suas dívidas
Analistas ressaltam que a persistência desse movimento de saída de recursos poderia gerar um ciclo de desconfiança ainda mais intenso, dificultando a estabilidade econômica do país.
A falta de consenso político e os obstáculos para a implementação de políticas fiscais e monetárias consideradas eficazes tornam a Argentina vulnerável a choques internos e externos, aumentando a pressão sobre setores estratégicos da economia.
Em meio a um quadro de contração econômica e acusações de corrupção de sua irmã e assessora, a rejeição a Javier Milei tem crescido nos últimos tempos, deixando investidores temerosos que nas eleições parlamentares de outubro ele não consiga ampliar sua base no congresso para viabilizar a aprovação dos seus projetos econômicos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)