Queda nas vendas força Musk a assumir controle direto da Tesla nos EUA e Europa
CEO passa a liderar área comercial em meio à pior retração trimestral desde 2024
A Tesla entregou 384.122 veículos entre abril e junho, queda de 13,5% em relação ao mesmo período de 2024.
Trata-se do pior desempenho trimestral da montadora americana desde o início da retração nas vendas, em 2023.
O volume ficou abaixo das projeções do mercado, que esperavam até 389 000 unidades.
Diante da desaceleração prolongada, Elon Musk passou a comandar pessoalmente as operações comerciais da Tesla nos Estados Unidos e na Europa, os dois principais mercados da empresa.
A mudança ocorreu após a saída de Omead Afshar, que respondia pela área de vendas e fabricação nessas regiões.
Tom Zhu, vice-presidente sênior, assumiu o mercado asiático. Já Troy Jones, responsável pelas vendas na América do Norte, passou a se reportar diretamente a Musk.
A reestruturação evidencia a tentativa do CEO de conter as perdas e recuperar participação em mercados estratégicos.
Na Europa, as vendas da Tesla registram quedas consecutivas há vários meses. No trimestre mais recente, o recuo foi de 37% na região.
Na China, a retração acumulada até maio foi de 18%. Nos Estados Unidos, o volume de veículos elétricos vendidos caiu 10,7%.
A Tesla lançou no período uma versão revisada do Model Y, uma versão mais barata do Cybertruck e atualizações dos modelos de luxo Model S e Model X.
As iniciativas, no entanto, não foram suficientes para reverter a queda. A marca também tem oferecido financiamento facilitado e descontos nos modelos mais populares, como o Model 3.
Apesar da retração, as ações da Tesla subiram 5% após a divulgação do balanço.
O movimento foi impulsionado pela estreia do serviço de robô-táxis da empresa, em fase experimental, com tarifa fixa e operação restrita a uma área de Austin, no Texas.
A Tesla também anunciou a produção, a partir de 2026, do Cybercab, um novo carro de dois lugares totalmente autônomo, com preço estimado em 30 mil dólares, cerca de 154 mil reais.
Elon Musk afirma que, até o fim de 2026, centenas de milhares de veículos autônomos da marca estarão circulando nos Estados Unidos, operados inclusive por proprietários particulares conectados à plataforma da empresa.
A expansão do projeto é vista como essencial para sustentar os investimentos em inteligência artificial e robótica.
A produção da Tesla aumentou em relação ao trimestre anterior, criando risco de acúmulo de estoque. Bancos como Wells Fargo e Guggenheim estimam retração de até 21% nas entregas de 2025.
Em 2024, a empresa já havia registrado sua primeira queda anual de vendas em mais de uma década.
Outras montadoras também enfrentaram dificuldades no segmento de veículos elétricos.
A Ford teve queda de 30% nas vendas no trimestre. Hyundai e Kia também registraram retração. A General Motors foi a única exceção entre as grandes, com crescimento de 100% nas vendas de elétricos.
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Comentários (1)
Rosa
02.07.2025 11:37Vai se lascar com seu envolvimento na atual política anericana.