O que Vorcaro disse ao Banco Central antes de tentar viajar para Dubai
Dono do Master informou ao Banco Central um dia antes de ser preso que iria aos Emirados Árabes tentar vender o banco
A decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), de soltar Daniel Vorcaro (foto), dono do Banco Master, foi embasada, entre outras coisas, pelo fato de que o banqueiro avisou ao Banco Central que iria para Dubai tentar vender a instituição.
A defesa de Vorcaro alegou “ausência de risco de fuga” e incluiu no pedido de liberdade um documento “que comprova que o paciente, em reunião por videoconferência com o Banco Central, na manhã de 17/11/2025, comunicou expressamente que viajaria a Dubai naquele mesmo dia para assinar a venda do banco”, registra a desembargadora em sua decisão.
Vorcaro seria preso um dia depois da videoconferência, em 18 de novembro, no aeroporto de Guarulhos.
“Os impetrantes anexaram prova demonstrando que o paciente comunicou previamente ao Banco Central sua viagem internacional com destino a Dubai, tendo informado formalmente o motivo da viagem — venda de instituição financeira — durante reunião oficial realizada na mesma data do embarque. Assim, o risco residual de evasão do distrito da culpa mostra-se controlável por meio de medida menos gravosa, consistente na entrega e retenção do(s) passaporte(s), revelando-se esta providência apta e proporcional”, disse a desembargadora.
Videoconferência
A prova anexada mencionada na decisão é um ofício do próprio Banco Central sobre a videoconferência, que registrou o seguinte:
“Na reunião o peticionante informou sobre as ações em curso para mitigar a crítica situação de liquidez do Conglomerado, informando que naquela data estava em tratativas com a Mastercard Brasil para formalizar novas condições contratuais que permitissem a liberação de recursos até então bloqueados em garantia, com o propósito de obter recursos suficientes para honrar as grades de liquidação do arranjo de pagamento.”
O ofício segue assim:
“Na sequência, passou a discorrer sobre as negociações em curso na busca de uma solução de mercado para o Conglomerado Master, tendo trabalhado para alienar o Grupo em três partes e para diferentes investidores. Informou ter sido essa a motivação para ter solicitado a antecipação da audiência agendada para o dia 19 de novembro de 2025, pois pretendia divulgar, até o final do dia 17 de novembro de 2025, a venda do Banco Master S.A. para um grupo de investidores nacional, e que viajaria para Dubai, nos Emirados Árabes, naquele mesmo dia, para a assinatura do contrato e anúncio da operação com o grupo de investidores estrangeiro que também passariam a integrar o novo bloco acionário da instituição.
Sobre essa transação, disse que iria realizar naquela mesma tarde reunião por videoconferência com representantes do Departamento de Organização do Sistema Financeiro para informar que estariam, naquela mesma data, protocolando o contrato de intenção de compra e venda para o início do processo de autorização junto ao BCB. Por fim, informou que esperava assinar o contrato de alienação da Will Financeira no dia 18 de novembro de 2025 e que estava trabalhando para anunciar até o final da semana a venda do Banco Master de Investimentos.”
Tornozeleira eletrônica
Livre da cadeia, Vorcaro será obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter qualquer tipo de contato com outros alvos da investigação, além de não poder se ausentar do município onde reside e de não poder exercer “atividade de natureza econômica/financeira”.
A decisão que o beneficiou foi estendida aos outros quatro detidos na Operação Compliance Zero: Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Master; Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, também sócio da instituição; Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do Master; e Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria do banco.
Vorcaro é apontado como o principal alvo da apuração que investiga uma suposta organização criminosa. O grupo seria responsável por ter promovido fraudes financeiras com um prejuízo estimado em pelo menos 10 bilhões de reais. O foco da investigação está na venda de créditos supostamente falsos realizada pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
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