O que muda com o acordo UE-Mercosul
Automóveis, alimentos e remédios podem mudar de preço com o acordo do Mercosul com a União Europeia, entenda o que deve mudar
A conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia traz a pergunta: o que, na prática, muda, quando muda e para quem muda, aqui no Brasil, quando o acordo finalmente valer?
Se o texto final for assinado e ratificado, os efeitos não serão imediatos nem homogêneos. O próprio desenho do tratado prevê uma transição longa, com etapas que se estendem por até 15 anos, justamente para diluir impactos e trazer previsibilidade a produtores e consumidores.
A primeira mudança vem na redução gradual de tarifas de importação. Segundo os termos divulgados pelos governos, cerca de 90% do comércio entre os dois blocos terá tarifas eliminadas ao longo de um período de adaptação.
Alguns cortes começam logo após a entrada em vigor, enquanto outros ficam para fases posteriores, dependendo do produto e do grau de sensibilidade de cada setor.
Para o consumidor brasileiro, os efeitos mais perceptíveis tendem a aparecer nos bens industriais vindos da Europa.
Automóveis, autopeças, máquinas, medicamentos e produtos químicos terão redução progressiva de impostos. Roupas, calçados e cosméticos também entram no acordo, o que pode ampliar a oferta e segurar reajustes ao longo do tempo.
Eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos e ferramentas também passam a ter impostos menores em fases posteriores, o que afeta preços de reposição e manutenção.
No setor de serviços, o tratado facilita investimentos e parcerias, com impacto indireto em telecomunicações, logística e transporte, áreas que influenciam custos repassados ao consumidor.
Até as viagens podem ser afetadas, já que companhias aéreas e operadores ganham um ambiente mais previsível para rotas e acordos comerciais.
Isso não significa que os preços vão cair de uma hora para outra, mas abre espaço para maior concorrência e, ao longo dos anos, pressão para valores mais baixos.
Vinhos, queijos e azeites também entram no cronograma de cortes, com salvaguardas para proteger produtores locais nos primeiros anos.
Do lado das exportações, o acordo com a União Europeia facilita a entrada de produtos do Mercosul no velho continente. Nossas carnes, açúcar, etanol, café e suco de laranja passam a contar com cotas maiores ou tarifas reduzidas.
No caso da carne bovina, por exemplo, a ampliação é gradual e limitada, o que evita uma enxurrada de produtos, mas garante acesso estável e previsível a um mercado de alto poder de compra.
Outro ponto que afeta o dia a dia está nas regras sanitárias e técnicas. O acordo busca harmonizar padrões e simplificar certificações, o que reduz custos para empresas e tende a refletir no preço final. Isso vale tanto para alimentos quanto para bens manufaturados.
Os prazos longos mostram que o impacto será mais acumulativo do que imediato. O acordo com a União Europeia não muda preços de um mês para o outro, mas redefine o ambiente comercial ao longo de uma década.
Para o consumidor, o ganho virá em variedade e concorrência. Para empresas, em acesso e planejamento. Para a economia, em integração gradual a cadeias internacionais de comércio.
Mas tudo isso só depois da aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) ao acordo, que deverá ser assinado pelas lideranças dos dois blocos no dia 17 – algo longe de ser um fato consumado, dada a forte oposição de setores agrícolas e grupos políticos europeus
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