MPTCU quer afastar Pochmann do IBGE
Procurador alegou que é preciso prevenir "qualquer forma de instrumentalização política das estatísticas oficiais"
O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), pediu o afastamento cautelar de Marcio Pochmann (foto) da presidência do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na representação, o procurador indicou uma série de irregularidades, como exonerações e substituições de servidores de carreira em áreas técnicas estratégicas por “servidores recém-ingressos e ainda em estágio probatório para funções de alta complexidade”.
Oliveira também alegou que é preciso prevenir “qualquer forma de instrumentalização política das estatísticas oficiais”, ressaltando a importância dos dados do PIB no período eleitoral.
“Nesses contextos, a divulgação de dados oficiais pode influenciar percepções sobre sucesso ou fracasso de políticas econômicas, afetando o ambiente político de forma direta. Por essa razão, o ordenamento jurídico-administrativo impõe aos dirigentes de instituições técnicas o dever reforçado de cautela, autocontenção e respeito absoluto à autonomia científica, de modo a prevenir qualquer forma de instrumentalização política das estatísticas oficiais. Não se trata apenas de evitar fraudes explícitas, mas também de afastar práticas administrativas que resultem em constrangimento técnico e em comprometimento da precisão metodológica.”
Para o procurador, a presença do petista Marcio Pochmann em “ambiente de conflito aberto com o corpo técnico responsável pelo cálculo” do PIB pode dificultar a realização de auditorias e comprometer a regularidade dos procedimentos internos.
“Em um contexto de fragilidade institucional e volatilidade financeira, qualquer dúvida sobre a lisura dos principais indicadores nacionais pode desencadear efeitos sistêmicos graves, agravando a crise e ampliando os danos ao Tesouro Nacional. Diante desse quadro, o afastamento cautelar revela-se medida necessária para preservar a integridade das auditorias em curso, resguardar a credibilidade das estatísticas oficiais e evitar danos de difícil reparação ao erário.”
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Crise com servidores do IBGE
Em janeiro, pelo menos três servidores da divisão responsável pelos cálculos do PIB pediram desligamento de seus cargos, faltando pouco mais de um mês para a divulgação do Produto Interno Bruto de 2025.
Cristiano Martins, gerente de Bens e Serviços do IBGE, Claudia Dionísio, gerente das Contas Nacionais Trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da área, entregaram seus cargos em solidariedade à coordenadora das Contas Nacionais, Rebeca Palis, afastada pela direção do IBGE.
Segundo O Globo, funcionários do IBGE suspeitam que a exoneração de Rebeca Palis tenha ocorrido em represália aos gerentes e coordenadores que assinaram uma carta de repúdio a ações da gestão de Pochmann.
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Comentários (1)
Annie
11.03.2026 14:20Parabéns ao procurador .