Inspeção na liquidação do Master pelo BC traz “segurança jurídica”, diz presidente do TCU
Vital do Rêgo afirmou que BC concordou com realização de inspeção em documentos relacionados a banco de Daniel Vorcaro
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou nesta segunda-feira, 12, que a inspeção no processo de liquidação do Banco Master traz “segurança jurídica” ao caso.
Segundo o ministro, a análise deve ser concluída em menos de um mês. Vital do Rêgo disse que há um acordo entre o TCU e o Banco Central (BC) para a realização da inspeção e para o exame da documentação relacionada ao processo.
A expectativa é que o plenário do TCU vote, em 21 de janeiro, a proposta de inspeção sobre a decisão do BC envolvendo o Banco Master.
Ainda nesta segunda-feira, Vital do Rêgo, o ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, e outros integrantes do TCU se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na sede da autarquia.
Segundo o presidente do TCU, o objetivo do encontro foi buscar uma forma de conciliar o poder de fiscalização do tribunal com a autonomia do Banco Central, que havia questionado a possibilidade de uma inspeção técnica do TCU em suas dependências.
Em entrevista à GloboNews, Vital do Rêgo negou que a atuação do TCU no processo de liquidação do Banco Master tenha sido um erro e afirmou que não haverá reversão da decisão tomada pelo Banco Central.
“O que nós veremos é que o Banco Central teve toda a razão em liquidar o Banco Master, como faz qualquer agência reguladora”, afirmou o ministro.
O suposto esquema
Técnicos do Banco Central afirmam que os fundos teriam sido utilizados para simular aportes de capital no Banco Master, criando a aparência de que a instituição dispunha de recursos suficientes para continuar operando nos meses que antecederam a liquidação.
Na prática, porém, os valores estariam lastreados em ativos de baixíssima liquidez e sobreavaliados, cujo valor real seria muito inferior ao registrado nas operações.
O modelo descrito pelo BC seguiria um padrão recorrente:
- Banco Master concedia empréstimos a empresas;
- Essas empresas aplicavam recursos em fundos;
- Os fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores inflados;
- Esses ativos acabavam retornando, direta ou indiretamente, a fundos ligados a Vorcaro e a pessoas de sua confiança.
O documento do Banco Central também aponta falhas graves no gerenciamento de riscos da instituição.
Segundo a autarquia, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões, com elevada concentração em poucos clientes e em desacordo com princípios básicos de seletividade, liquidez e diversificação de riscos.
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