Famílias atrasam pagamentos no maior nível desde 2017
Cresce o número de brasileiros com pagamentos em atraso e renegociações disparam com a alta do custo de crédito
Em janeiro, milhões de brasileiros deixaram de pagar contas básicas e parcelas de crédito ao mesmo tempo em que a taxa de inadimplência alcançou o nível mais alto desde 2017, de acordo com levantamento do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.
O avanço ocorreu após meses de juros elevados e crescimento mais lento da renda das famílias.
Os dados apontam aumento do número de consumidores com pagamentos em atraso em cartão, financiamento e contas de serviços.
O quadro se espalha por diferentes faixas de renda e regiões, indicando um problema ligado ao encarecimento do crédito.
Com a taxa básica elevada, o crédito ficou mais caro e dificultou renegociações e a rolagem de dívidas, em linha com as estatísticas de crédito divulgadas pelo Banco Central.
Com parcelas maiores, muitas famílias passaram a priorizar gastos imediatos e adiar compromissos financeiros.
O endividamento não recuou mesmo com a desaceleração do consumo. Parte das famílias continua recorrendo ao crédito rotativo e ao parcelamento para manter despesas correntes.
Forma-se um ciclo em que juros elevados aumentam prestações e atrasos, elevam o risco para instituições financeiras e tornam o crédito mais caro e seletivo.
Analistas também apontam fatores de gestão doméstica. A expansão do crédito nos anos anteriores ampliou o acesso, mas sem avanço proporcional da renda real.
Muitos consumidores comprometeram parcela elevada do orçamento e ficaram vulneráveis a qualquer oscilação de emprego ou de preços de itens essenciais.
Assim, a inadimplência cresce mesmo sem deterioração acentuada do mercado de trabalho.
Nos bancos, o aumento do atraso pressiona provisões e reduz espaço para novas operações, afetando comércio e serviços dependentes de vendas parceladas.
Ao mesmo tempo, programas de renegociação registram procura maior, indicando tentativa de reorganização financeira pelas famílias.
Os dados indicam que a queda dos atrasos depende mais do custo do crédito do que do ritmo de consumo.
Enquanto o financiamento permanecer caro, famílias e empresas continuarão dependentes de renegociações para reorganizar o orçamento mensal.
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Comentários (1)
Não sobra nada do salário para economizar! Dê graças a Deus quem conseguir fechar as contas do mês... É q não pode faltar dinheiro para Brasília... No nosso bolso pode!