Emprego forte adia apostas de corte de juros nos EUA
Mercado reage a criação de emprego nos EUA e revisa apostas para juros, após salários indicarem inflação persistente no setor de serviços
A criação de 130 mil vagas de trabalho nos Estados Unidos em janeiro e a taxa de desemprego em 4,3% mudaram a leitura recente dos investidores sobre a trajetória dos juros americanos.
O mercado esperava um resultado mais fraco e vinha apostando que o Federal Reserve poderia começar a reduzir as taxas ainda no primeiro semestre.
Os dados divulgados ficaram acima do consenso de 66 mil vagas e mostraram também aumento salarial de 0,4% no mês e 3,7% em doze meses.
A composição do relatório indicou expansão sobretudo em saúde, assistência social e construção, enquanto governo federal e atividades financeiras registraram queda.
O resultado foi interpretado como sinal de mercado de trabalho ainda aquecido. A taxa de desemprego permaneceu praticamente estável em 4,3%, reforçando a percepção de que a economia desacelera de forma gradual, sem perda brusca de empregos.
A leitura ganhou peso porque parte dos investidores esperava enfraquecimento mais visível após meses de juros elevados.
Salários mais firmes alteram o cálculo do banco central. Crescimentos mensais nessa velocidade implicam ritmo anual acima do compatível com inflação perto da meta, o que reduz espaço para cortes rápidos na taxa de juros, apesar da pública pressão de Donald Trump nesse sentido.
O relatório também mostrou redução do trabalho parcial involuntário e manutenção da participação da força de trabalho em 62,5%.
Isso reforça a ideia de desaceleração lenta da economia americana. A atividade continua avançando, mas a persistência dos salários mantém o banco central dependente de novos indicadores antes de alterar sua política.
Diante dos números, os contratos futuros das bolsas de Nova York subiram após os dados, mas o movimento veio acompanhado de revisão nas apostas para a política monetária e previsão de manutenção dos juros no atual patamar por mais tempo.
Esse tipo de resposta reflete um dilema para o Fed, às voltas com o crescimento do emprego sustentando o consumo e atividade, mas também prolongando pressões de preços no setor de serviços.
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