Economia é risco político para Trump
Indicadores econômicos melhoram, mas 83% dos americanos dizem não sentir alívio financeiro sob o governo Trump
Donald Trump abriu o discurso ao Congresso na noite dessa terça-feira (24) dizendo que os Estados Unidos vivem uma nova fase de prosperidade. Só que a percepção pública indica outra história.
Pesquisas recentes mostram uma desaprovação crescente sobre sua condução econômica e preocupação persistente com preços de itens básicos, ponto central da política doméstica neste início de ano.
O presidente dedicou parte da fala para culpar seu antecessor Joe Biden pelos problemas econômicos, mas também falou muito sobre criação de emprego, bolsa de valores e a recente queda da inflação mensal. A estratégia busca convencer eleitores antes das eleições legislativas.
O problema é que a inflação acumulada permanece alta para a realidade americana. Preços de moradia, seguro e alimentação seguem muito acima do nível anterior à pandemia e continuam pesando mais para famílias de menor renda.
Essa distância entre discurso e cotidiano aparece em levantamentos de opinião. Apenas 36% aprovam sua gestão econômica, segundo pesquisa Reuters Ipsos. Já um levantamento YouGov/MarketWatch mostra que 83% dizem que a acessibilidade financeira não melhorou sob seu governo.
A própria narrativa oficial reconhece o foco no custo de vida. Trump propôs cortes permanentes de impostos, expansão energética e tarifas comerciais para proteger fábricas. Só que, se suas tarifas comerciais de importação impostas a dezenas de países podem estimular a produção local, também encarecem importados e pressionam preços ao consumidor.
Dados econômicos ajudam a explicar a frustração. A inflação desacelerou, porém a renda real avança lentamente após a alta de preços recente. O crescimento perdeu ritmo no fim de 2025, enquanto despesas domésticas continuam elevadas.
A queda de popularidade acompanha esse quadro. A aprovação geral de Trump gira perto de 39% e a desaprovação supera metade do eleitorado, revela pesquisa Washington Post/ABC News/IPSOS divulgada nessa segunda-feira. Outros levantamentos também registram maioria crítica à sua política tarifária e ao combate à inflação.
O discurso de Trump buscou responder ao problema com propostas para medicamentos mais baratos e construção habitacional em terras federais, com o presidente abordando a pauta de acessibilidade financeira, mas cujo impacto deve ser lento e dependente de aprovações do Congresso.
Indicadores macroeconômicos mostram atividade ainda positiva, enquanto a percepção popular permanece negativa. Na campanha, Trump prometeu reduzir preços rapidamente e agora enfrenta um cenário em que crescimento e insatisfação coexistem, condicionando sua posição nas eleições de meio de mandato previstas para novembro.
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Comentários (2)
Rosa
25.02.2026 12:34Ele e seus pares vivem. O povo? Há o povo, que se dane. Lá como aqui.
ISABELLE ALÉSSIO
25.02.2026 11:59👏🏻🏆👀