Crusoé: O caça da discórdia
Governo alemão avalia rever participação no FCAS, maior projeto aéreo europeu, enquanto países compram caças F35 dos Estados Unidos
A Alemanha colocou em dúvida a continuidade do caça europeu FCAS, um dos principais esforços de autonomia militar do continente, ao indicar que pode buscar outros parceiros e até modelos distintos dos planejados com a França.
“Ainda precisaremos de um caça tripulado daqui a 20 anos? Ainda precisaremos dele, considerando que teremos que desenvolvê-lo a um custo tão alto?”, questionou o chanceler alemão Friedrich Merz.
O programa, conhecido como Future Combat Air System, anunciado em 2017 e com meta de estar operacional por volta de 2040, reúne França, Alemanha e Espanha para desenvolver um conjunto de aeronaves conectados por redes digitais, pensado para substituir o Rafale francês e o Eurofighter alemão nas próximas décadas. O plano envolve um sistema completo de combate aéreo, não apenas um avião furtivo, com sensores distribuídos e cooperação entre aeronaves tripuladas e drones.
Merz afirmou que Berlim não precisa necessariamente do mesmo caça adotado por Paris e mencionou alternativas, inclusive cooperação com outros países. Autoridades alemãs avaliam abrir conversas com parceiros fora do eixo franco-alemão, hipótese que aumentou a incerteza sobre o projeto. O chanceler também se mostrou incomodado com o lento ritmo do desenvolvimento e o crescente custo industrial para a Alemanha.
A divergência ocorre após anos de disputa industrial entre Dassault e Airbus sobre controle tecnológico e propriedade intelectual. A Reuters informou que o ministro da Defesa alemão disse esperar clareza sobre o futuro do programa em breve, reconhecendo dificuldades na divisão de tarefas e financiamento.
O debate tem impacto além da indústria. Países europeus elevaram gastos militares depois da guerra na Ucrânia e passaram a comprar caças F-35 dos Estados Unidos, atraídos por prazos menores e integração com a OTAN. Essa escolha reduziu a pressão imediata para concluir o FCAS, mas também enfraqueceu o argumento político de independência tecnológica, justamente…
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