Crusoé: A milícia digital Master
Agência contratada pelo banco de Daniel Vorcaro ofereceu até 2 milhões de reais para influenciadores
Em 19 de dezembro do ano passado, quando o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jonathan de Jesus determinou que, em 72 horas, o Banco Central apresentasse esclarecimentos relacionados a supostos indícios de liquidação “precipitada” do Banco Master.
Quase que ao mesmo tempo, influenciadores de direita e de esquerda ligados à política e à economia se apressaram em abordar o assunto.
Nos posts, de gente com meio milhão de seguidores, um milhão, um milhão e meio, havia uma narrativa muito semelhante, como se fosse coordenada: havia algo por trás da liquidação do Banco Master, apesar do profícuo trabalho da Polícia Federal (PF) e das provas levantadas de que a instituição lançava ao mercado créditos podres justamente para ganhar uma competitividade fraudulenta.
Nos posts, realizados exatamente em 19 de dezembro, os influenciadores passaram a criticar o Banco Central e a fazer uma defesa intransigente da atividade do banco de Daniel Vorcaro.
Foram feitas críticas à atividade do Banco Central e também a integrantes da Polícia Federal.
Em 28 de dezembro, novos posts com abordagens semelhantes, sempre ligados aos desdobramentos do caso no TCU.
Um dia depois, houve até matéria em site descrevendo, quase que ponto a ponto, a defesa que Daniel Vorcaro apresentará aos órgãos de controle e à Polícia Federal.
Tudo parece ser uma grande coincidência, correto? Talvez não. A Polícia Federal determinou o início de uma investigação que pode desbaratar uma espécie de milícia digital master.
Uma milícia que, segundo as primeiras informações, pode ter sido comprada por valores que ultrapassam os sete dígitos, a depender do poder de influência de cada integrante desse universo virtual.
Fazer posts patrocinados, elogiar produtos ou defender que creme de cabelo A é melhor que B não é crime. Nunca foi.
É a arte da propaganda…
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Comentários (1)
Annie
09.01.2026 11:01A polícia Federal precisa investigar mesmo isso e muito sério.