Como o mercado americano quase quebrou em 9 de abril

04.03.2026

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Como o mercado americano quase quebrou em 9 de abril

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Alexandre Borges
3 minutos de leitura 11.04.2025 08:54 comentários
Economia

Como o mercado americano quase quebrou em 9 de abril

Colapso simultâneo de ações e títulos do Tesouro expôs fragilidade do sistema

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Alexandre Borges
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Como o mercado americano quase quebrou em 9 de abril
Foto: Pixabay

O sistema financeiro dos Estados Unidos esteve à beira de uma ruptura nesta quarta, 9.

Durante horas, investidores enfrentaram um cenário de pânico com quedas generalizadas nas bolsas e instabilidade severa no mercado de títulos do Tesouro, historicamente considerado o porto seguro da economia global.

A turbulência só arrefeceu no fim do dia, após o governo americano anunciar o adiamento de novas tarifas comerciais por 90 dias.

A crise se agravou após semanas de desvalorização dos ativos de risco, como ações.

O estopim foi a súbita oscilação nos rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos, que saltaram de 3,9% para 4,5% em questão de dias.

Como o preço dos títulos varia inversamente ao rendimento, isso representou uma forte desvalorização desses papéis. A queda simultânea de ações e títulos criou um ambiente de incerteza generalizada, com risco real de travamento do sistema financeiro.

Indicadores de estresse dispararam.

Medidas de volatilidade subiram aos maiores níveis desde 2020, refletindo o temor de liquidez entre bancos, fundos de investimento e demais operadores.

O chamado “spread de swap” – diferença entre o rendimento dos Treasuries e taxas interbancárias esperadas – alcançou 0,6 ponto percentual, o maior já registrado. O descolamento sugere que compradores tradicionais evitaram o mercado diante da instabilidade.

Para cobrir prejuízos, grandes bancos exigiram margens adicionais de hedge funds, obrigando a venda rápida de ativos, inclusive os próprios títulos do Tesouro.

Esse efeito em cascata gerou um círculo vicioso: quanto mais os fundos vendiam para cobrir exigências, mais os preços caíam e mais margens eram exigidas, ampliando o movimento.

Especialistas apontam que um fator relevante foi o colapso de operações chamadas “basis trade”, que apostam na diferença entre o preço dos títulos e seus contratos futuros.

Com altas alavancagens, essas operações exigem refinanciamento constante e são sensíveis a qualquer oscilação abrupta. Estima-se que mais de 1 trilhão de dólares esteja exposto a esse tipo de estratégia.

A estrutura do sistema financeiro americano tem pouca margem para absorver grandes volumes de venda em um curto período.

Com os bancos já carregando estoques elevados de Treasuries, houve pouca capacidade de intermediação no auge do pânico.

Ao final do dia, o governo recuou temporariamente de algumas medidas comerciais, o que aliviou parte da tensão.

A Bolsa de Nova York registrou alta de 10% no índice S&P 500, o melhor desempenho diário desde a crise de 2008. Apesar disso, os rendimentos dos títulos do Tesouro continuaram elevados, refletindo a percepção de risco persistente entre investidores.

A crise, ainda que contida, revelou vulnerabilidades profundas em um sistema que, mesmo altamente regulado, permanece exposto a choques repentinos.

Decisões políticas com impacto econômico imediato, combinadas a práticas especulativas alavancadas, criam o ambiente ideal para instabilidades.

A atuação do banco central americano em futuras crises dependerá de fatores não apenas técnicos, mas também da legitimidade percebida de suas intervenções, agora em um cenário político mais carregado.

O episódio de 9 de abril deixa claro que a confiança nos pilares do sistema financeiro dos Estados Unidos está sendo testada – e os efeitos disso repercutem bem além de Wall Street.

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