Como as mudanças no IOF impactam o mercado e você
A estratégia do governo, embora busque equilíbrio fiscal, parece improvisada, mal amarrada e gerou críticas
O governo Lula anunciou na tarde de quinta-feira, 22, uma série de medidas para conter gastos e alcançar sua meta de equilíbrio fiscal. Dentre essas medidas, entretanto, vieram mudanças – para cima – no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), visando arrecadar 20,5 bilhões de reais em 2025 e mais R$ 41 bilhões em 2026.
A decisão anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto), surpreendeu o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, gerou críticas e recuos após reações negativas do mercado. Mas essas alterações no IOF afetam cidadãos e empresas de formas diferentes.
O que é o IOF e como ele afeta o bolso?
O IOF é um tributo que incide sobre operações financeiras, como crédito, câmbio, seguros e previdência privada. A alíquota para compras internacionais com cartões de crédito, débito ou pré-pagos, que estava em queda a cada ano com a meta de zerar em 2029, para se alinhar às práticas da OCDE, subiu de 3,38% para 3,5%.
A compra de moeda estrangeira em espécie e remessas ao exterior, como para manutenção de familiares, passou de 1,1% para 3,5%, encarecendo custos para estudantes e expatriados. Já para planos de previdência privada (VGBL) com aportes acima de R$ 50 mil, o IOF foi elevado para 5%, impactando investimentos de longo prazo,”o que parece algo no mínimo curioso“, segundo o economista-chefe da Lev, Jason Vieira, “pois poucas pessoas com essa disponibilidade de investimento mensal investiriam nessa modalidade.”
Impactos nas Empresas e na Economia
Empresas enfrentam aumentos significativos. O IOF sobre crédito corporativo subiu de 1,88% para 3,95% ao ano, e para empresas do Simples Nacional, de 0,88% para 1,95% em operações até R$ 30 mil.
Esse encarecimento do crédito pode ser repassado aos consumidores, como alertou Rubens Ometto, da Cosan, prevendo pressão inflacionária. Flávio Rocha, da Riachuelo, criticou a medida como “testada e reprovada”, desestimulando investimentos.
Críticas do Mercado Financeiro
Em 23 de maio de 2025, analistas do mercado financeiro, conforme reportado pelo Estadão, criticaram o aumento do IOF como um “retrocesso fiscal” que eleva custos para investidores e empresas. A Reuters destacou que especialistas veem a medida como um obstáculo à adesão do Brasil à OCDE, reduzindo a competitividade econômica.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco inter, declarou em sua conta no X: “Tributar cambio e previdência é uma péssima ideia. (…) Governo segue com a mesma fórmula que não funciona: aumenta impostos para cobrir o déficit, e o aumento de arrecadação vai gerar novo aumento de gasto vinculado no próximo ano. Além de manter a inflação persistente e o custo da dívida elevado.”
Recuo do Governo e Descoordenação
Após críticas, o governo recuou, mantendo a alíquota de IOF sobre aplicações de fundos brasileiros no exterior em 0% (que subiria para 3,5%) e remessas para investimentos no exterior em 1,1%.
Contudo, a falta de diálogo com o Banco Central, como apontado por Galípolo, evidencia descoordenação, abalando a confiança do mercado, que hoje pode reagir de forma negativa tão cedo comecem as operações.
Para o cidadão comum, o impacto imediato do IOF pode ser dar tanto em quem investe em fundos de VGBL, como também na possível elevação da inflação e dificultar o acesso a crédito, especialmente para pequenas empresas. O principal, no entanto, é que a estratégia do governo, embora busque equilíbrio fiscal, parece improvisada, mal amarrada, comprometendo a harmonia entre políticas fiscal e monetária.
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Comentários (1)
Rosa
23.05.2025 11:21Como já se sabia este governo odeia mesmo é a classe média " vamos esmagá-los ate se tornarem classe baixa" assim votam em "nóis".