Caso Master: os ataques coordenados nas redes sociais ao BC
O alvo principal foi o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC Renato Dias Gomes
Levantamento feito pela Febraban aponta que instituições e autoridades envolvidas no processo de liquidação extrajudicial do Banco Master têm sido alvo de ataques coordenados nas redes sociais.
O pico ocorreu em 27 de dezembro, com 4.560 posts, segundo O Estado de S.Paulo.
Nos últimos dias, houve uma “redução significativa” nos ataques, com 132 publicações registradas nas 24 horas até 5 de janeiro.
O alvo principal foi o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC Renato Dias Gomes.
Ele foi o responsável pelo veto da oferta de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
“Nesses levantamentos recorrentes, foi identificado, no final de dezembro, volume atípico de postagens com menções relativas à entidade e seus representantes, referentes ao noticiário sobre liquidação de instituição financeira”, afirmou a Febraban, em nota.
“A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”, acrescentou.
Os ataques
Com 4,1 milhões de seguidores no Instagram, o perfil Comuacin publicou em 2 de janeiro:
“Críticos avaliam que Renato Gomes não deixou um legado positivo no Banco Central. Segundo análises, sua gestão falhou em pontos considerados essenciais no setor público, como estabilidade, previsibilidade e fortalecimento institucional. Especialistas defendem agora a correção de rumos, com mais diálogo, menos concentração de poder e regras claras para devolver ao BC seu papel histórico de estabilidade.”
Na imagem, uma montagem de Gomes ao lado de fios elétricos emaranhados.

O perfil Exclusivas da Fama, que tem 9,1 milhões de seguidores no Instagram, publicou em 1º de janeiro:
“Debate! Renato Gomes deixou o Banco Central e o movimento reacendeu o debate sobre as chamadas “portas giratórias” entre o regulador e o mercado financeiro. Apesar de legal, a transição levantou questionamentos sobre ética, percepção pública e possíveis conflitos de interesse. Nos bastidores, críticas à sua gestão citam decisões abruptas, falhas de comunicação e pouco diálogo com o mercado, apontando que o período à frente do BC teria ampliado incertezas em vez de reduzir tensões.”

“Projeto DV”
O jornal O Globo publicou na terça, 6, que influenciadores de direita também foram procurados para postar conteúdo a favor do Banco Master.
Um deles é o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), que disse ter sido procurado em 20 de dezembro para participar da campanha.
“Estamos fazendo um trabalho de gerenciamento de crise para um executivo grande. E temos contratado perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política que estamos travando contra o sistema”, dizia a mensagem enviada ao vereador, prometendo uma remuneração milionária.
O serviço foi batizado de “Projeto DV”.
As letras fazem referência às iniciais do banqueiro Daniel Vorcaro, o dono do Master.
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Comentários (1)
Não tenho esperança nenhuma de ver os culpados presos. Penso que ainda o BC será obrigado à indenizar o larápio e sua gangue do alto escalão .