Tony Bellotto fala sobre a conquista do prêmio Jabuti
Músico e escritor, que venceu com o romance ‘Vento em Setembro’, reflete sobre a vida e sobre o tratamento de câncer no pâncreas
O músico e escritor Tony Bellotto venceu esta semana o prêmio Jabuti pelo romance Vento em Setembro. O artista subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para receber a distinção, demonstrando contentamento.
Em entrevista à Folha, disse que ficou surpreso com o resultado. Bellotto, que já foi mais e menos alvejado pela crítica, disputou com os badalados Chico Buarque e Marcelino Freire.
O guitarrista dos Titãs, de 65 anos, gostou de comunicar a novidade à sua médica, que acompanha seu tratamento contra um câncer no pâncreas. Após uma cirurgia para retirar o tumor, diz que enfrenta a doença “de maneira pragmática e realista”, mas que já consegue levar uma “vida mais normal”.
Bellotto voltou a participar de shows com a banda. Ele afirma que, embora o diagnóstico seja de uma “doença mais grave”, não há grande perturbação no momento, “porque não dói”. O escritor vive “um dia de cada vez” e se aprofunda nos conhecimentos de zen-budismo.
O processo criativo de uma carreira literária de 30 anos
O reconhecimento no Jabuti sucede três décadas de trabalho de Bellotto na escrita, período em que se destacou com tramas de suspense protagonizadas pelo detetive Remo Bellini. Este personagem, aliás, ganhou projeção no cinema.
A celebração serve como um incentivo para continuar produzindo. Vento em Setembro, que foi semifinalista do prêmio Oceanos, é uma obra que une elementos de thriller à narrativa autobiográfica de formação. O romance se inspira na juventude do autor no interior de São Paulo.
Bellotto descreve o processo de escrita como “meio psicanalítico”. A obra aborda a busca por identidade e contém “uma ironia, um sentido meio paródico que exagera a visão que eu tenho dos anos 1970”.
Ele acrescenta que o texto critica “a quantidade de preconceitos, misoginia, homofobia, opressão masculina que eu vivi na adolescência”. Desde a indicação do livro, já chegaram três propostas para adaptá-lo ao cinema.
Outro livro vem aí, mas Bellotto, por enquanto, não quer dar mais detalhes. Segundo seu ídolo, Rubem Fonseca, “dá azar”.
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