Rádio USP dedica série ao compositor Arrigo Barnabé
Programa “Sonoridade das Palavras” transmite quatro episódios com o criador de Clara Crocodilo ao longo de abril
O compositor e cantor Arrigo Barnabé é o tema central da nova temporada do programa “Sonoridade das Palavras”, da Rádio USP. A série, produzida e apresentada pela jornalista Magaly Prado, exibe uma entrevista dividida em quatro episódios, transmitidos às terças-feiras de abril — dias 7, 14, 21 e 28 —, às 17h, pelas frequências 93,7 MHz (São Paulo) e 107,9 MHz (Ribeirão Preto). Após cada transmissão, os episódios ficam disponíveis como podcast no site do Jornal da USP.
Trajetória entre a USP e a vanguarda musical
Nascido em Londrina, no Paraná, Barnabé chegou a São Paulo no início dos anos 1970 para cursar o vestibular. Matriculou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, mas abandonou o curso. Depois, passou pela Escola de Comunicações e Artes da mesma universidade, sem chegar à conclusão da graduação.
O caminho para o reconhecimento veio em 1979, quando venceu o Festival Universitário da TV Cultura com a música “Diversões Eletrônicas”. No ano seguinte, lançou o LP Clara Crocodilo, trabalho que se afastou dos padrões da canção popular brasileira e tornou-se referência dentro do movimento chamado Vanguarda Paulista — ao lado de artistas como Itamar Assumpção, Tetê Espíndola e bandas como Rumo e Língua de Trapo.
Ao longo dos episódios, Barnabé aborda suas referências estéticas, que vão de Johann Sebastian Bach a Oswald de Andrade, de João Gilberto a Béla Bartók, passando por histórias em quadrinhos e pelo rádio. O artista também discute os primeiros contatos com a música ainda no Paraná e as experiências posteriores no ambiente universitário paulistano.
Valsas, cinema e quadrinhos
A conversa com Magaly Prado não se limita ao disco de estreia. O segundo álbum de Barnabé, Tubarões Voadores, de 1984, também é abordado — trabalho construído a partir de uma história em quadrinhos do artista Luiz Gê. Outro ponto tratado é a participação na trilha sonora de Cidade Oculta, filme de Chico Botelho lançado em 1986, em que Barnabé atuou também como ator.
O compositor comenta sua relação particular com a valsa, gênero que utilizou como exercício técnico: “O único gênero com o qual me identifiquei foi a valsa. Como um exercício, quase uma justificativa, uma demonstração de capacidade”, afirma.
Segundo ele, o público em geral associa música a uma ideia de doçura e a um imaginário nacionalista, e sua obra rompeu com essa expectativa. “Então, senti que era preciso demonstrar minha capacidade de também fazer melodias. Não era minha vocação primeira, mas um exercício, uma demonstração de que eu podia fazer coisas melódicas, com graça e espírito nacionalista, essa coisa de quintal que as pessoas têm quando pensam no Brasil”.
A apresentadora Magaly Prado descreve o programa como um espaço voltado a artistas que tratam a palavra como material sonoro e cênico. “A série ‘Sonoridade das Palavras’ surge do interesse em conversar com artistas que não apenas compõem com palavras, mas que investigam profundamente a forma de dizê-las”, explica.
A temporada atual faz parte de um ciclo dedicado a músicos com passagem pela USP: após a estreia com o professor e compositor José Miguel Wisnik, a série segue com Barnabé e, na sequência, com Luiz Tatit.
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