Os mais inteligentes defendem a liberdade de expressão?

13.03.2026

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Os mais inteligentes defendem a liberdade de expressão?

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Gustavo Nogy
5 minutos de leitura 19.09.2025 17:15 comentários
Cultura

Os mais inteligentes defendem a liberdade de expressão?

Novas pesquisas revelam como a cognição, a ideologia e as pressões sociais moldam o apoio à fala irrestrita e à censura em diversos contextos

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Gustavo Nogy
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Os mais inteligentes defendem a liberdade de expressão?

Pesquisadores em psicologia social e cognitiva têm estudado quais seriam os fatores psicológicos e sociais que determinam o apoio à liberdade de expressão ou a adesão a formas de censura. As descobertas resultam de uma vasta seleção de estudos, incluindo análises de dados americanos de décadas passadas e levantamentos globais.

Essas investigações, realizadas através de diversas metodologias, emergem de uma vasta coleção de estudos, incluindo análises de dados americanos de décadas passadas e levantamentos globais, e tentam elucidar as condições e os traços que moldam a resposta dos indivíduos a discursos impopulares ou controversos.

O objetivo é compreender por que algumas pessoas defendem a limites mais amplos para a liberdade de expressão, enquanto outras são a favor de restrições mais estritas.

Capacidade cognitiva e dinâmicas sociais da expressão

Pessoas com maior capacidade de raciocínio verbal frequentemente apoiam a liberdade de expressão, inclusive para grupos que não apreciam. Esta tendência permanece consistente em análises de dados de pesquisas nos Estados Unidos, cobrindo um período de 1974 a 2018.

A humildade intelectual é um dos elementos que explica essa relação, em que a capacidade cognitiva modera a inclinação à censura, mesmo diante de discursos considerados questionáveis. Indivíduos com maior habilidade cognitiva defendem a expressão para todos, não apenas para seus grupos preferidos.

Mas as pressões sociais importam. Nos Estados Unidos, professores têm praticado a autocensura em temas sensíveis ou controversos. O receio de retaliação social, como prejuízo à reputação e assédio online, leva muitos acadêmicos a se calarem. Isso ocorre mesmo quando acreditam que a ciência corrobora uma conclusão impopular. A pesquisa apontou uma divergência entre os ideais de liberdade acadêmica e as pressões sociais que influenciam o que os estudiosos se sentem seguros para expressar.

A disposição das pessoas para defender suas convicções publicamente tem diminuído ao longo de duas décadas, de 2000 a 2020. Uma análise de mais de um milhão de respostas revelou uma queda na vontade de se manifestar e na despreocupação com a opinião alheia. Essa mudança pode ser atribuída à crescente ansiedade social e ao medo de represálias online. A pesquisa sugere um aumento da autocensura, principalmente em ambientes digitais, impactando a liberdade de expressão.

A prática da “correção política” no ambiente de trabalho, cuja intenção declarada é evitar comentários ofensivos, pode gerar exaustão mental. Estudos indicam que funcionários que monitoram sua fala apresentam maior fadiga cognitiva no final do dia. Embora o politicamente correto derive da intenção de ser inclusivo, o esforço de regulação da fala consome recursos mentais. Isso afeta a livre expressão em contextos profissionais.

Ideologia, ameaças e controle da informação

Embora o politicamente correto seja uma expressão progressista, geralmente de esquerda, tendências antidemocráticas são também bastante comuns entre conservadores nos Estados Unidos. Traços psicológicos como a tendência ao autoritarismo e a orientação para a dominância social, contribuem para essa diferença. Conservadores demonstraram menor apoio à igualdade política e maior abertura a limitar a expressão em certas condições. No entanto, a crença na legitimidade institucional pode moderar essas inclinações autoritárias.

Democratas e republicanos nos Estados Unidos frequentemente concordam sobre qual discurso de ódio deve ser removido das plataformas. Ambos os grupos tendem a apoiar a censura de publicações que visam minorias ou que incitam violência. A diferença reside no apoio geral à censura, que é maior entre os democratas. Contudo, há uma má percepção mútua das opiniões dos oponentes, o que amplifica a polarização.

A educação é mais eficaz que a censura no combate à desinformação online. A modelagem matemática mostrou que treinar as pessoas para o pensamento crítico e a avaliação de informações retarda a disseminação de falsidades. Proibir usuários ou remover conteúdo teve efeitos de curto prazo. O desenvolvimento da resiliência cognitiva é uma estratégia mais sustentável do que a restrição da fala.

Formas de “censura sutil” são comuns na comunidade científica. Desencorajar temas controversos ou rejeitar artigos baseados em possíveis danos são exemplos. Tais ações são motivadas por preocupações prosociais, como a proteção de grupos vulneráveis ou a manutenção da harmonia social. No entanto, essas restrições podem comprometer a troca aberta de ideias.

Sentimentos de ameaça pessoal ou política aumentam a propensão de pessoas ao redor do mundo a apoiar governos autoritários. Isso inclui o favorecimento de líderes fortes e a redução das liberdades civis e da tolerância à dissidência. Essa ligação entre ameaça e autoritarismo foi observada em 59 países e é mais forte entre os que se identificam como conservadores. A tolerância ao debate público diminui quando a segurança ou estabilidade é percebida como em risco.

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