Mostra “Divindades em Movimento” explora a espiritualidade nacional
Iniciativa de estudantes da USP disponibiliza gratuitamente 13 obras que abordam o sagrado e as diversas manifestações de fé no país
A plataforma Spcineplay, mantida pela Prefeitura de São Paulo, hospeda até maio de 2026 a mostra gratuita de filmes “Divindades em Movimento: a religião como expressão cultural no cinema brasileiro”. A curadoria, desenvolvida pelos estudantes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Enzo Ruggeri e Giovanna Mastena, disponibiliza 13 produções nacionais para o público. O objetivo é investigar as muitas formas com que o cinema brasileiro representa o sagrado, dando visibilidade a narrativas de resistência e a expressões religiosas não hegemônicas.
Panorama das obras exibidas
A coleção apresentada abrange diferentes formatos e gêneros, incluindo curtas e longas-metragens, ficção, documentário e animação.
Entre os títulos selecionados, o clássico O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, que narra a jornada de Zé do Burro em seu impedimento religioso. O filme Sermões: ahistória de Antônio Vieira (1989), de Julio Bressane, também faz parte da mostra, retratando a perseguição do jesuíta por suas ideias contrárias à escravidão. Outras produções como Mitos indígenas em travessias (2019), Ritos populares: umbanda no Brasil (1986), Padre Cícero (1972) e o documentário Xapiri (2012) complementam a exibição.
O sagrado como força emancipatória
Os organizadores pretendem expor uma visão ampla da religiosidade na tela: “Buscamos salientar narrativas em que a retomada da espiritualidade incorpora-se dentro de narrativas de resistência, seja através de tensões individuais frente às instituições religiosas, seja como incorporação ficcional e documental de religiões não hegemônicas”, afirmam Giovanna Mastena e Enzo Ruggeri no texto curatorial. Eles também observam que essa representação cinematográfica reflete “um contínuo embate entre quem representa e quem é representado” e, assim, revela as “dinâmicas de poder e os discursos dominantes que, por vezes, marginalizam vozes e perspectivas alternativas”.
A iniciativa pretende traçar “um panorama multifacetado das expressões cinematográficas que exploram a religião”. A proposta é ir “desde o olhar do ‘outro’ até a emergência de narrativas mais individualizadas e coletivas, desafiando assim as fronteiras do sagrado e do profano na tela”. A religião é investigada no cinema brasileiro pelas “contradições e sincretismos”, apresentando-se como “força emancipatória ao representar poder para os mais fracos”. Essa abordagem “cria um terreno de embate à medida que o protagonismo está narrativamente voltado para uma fé genuína, oriunda das culturas populares, antagonizado por uma institucionalização da religiosidade”.
Os filmes estão disponíveis na plataforma pública Spcineplay.
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